
Luanda - O escritor e investigador Albino Carlos apresentou, em Luanda, o seu mais recente livro “História da Música Angolana”, é uma obra que propõe um olhar abrangente sobre a evolução da música no país e o seu impacto na construção da sua identidade cultural e histórica.
Segundo o autor, citado pelo JA Online, a publicação surge da necessidade de reforçar a bibliografia nacional sobre a música angolana, uma área ainda pouco explorada no meio académico interno, sendo grande parte dos estudos desenvolvidos por investigadores estrangeiros. O livro procura, assim, valorizar a produção científica nacional e reconhecer o papel dos músicos como agentes culturais e históricos.
Na obra, Albino Carlos destaca a música como instrumento de afirmação cultural, memória colectiva e resistência, sublinhando o contributo dos artistas angolanos nos processos de luta contra o colonialismo e na construção da Independência Nacional.
O autor defende ainda que a música angolana deve ser entendida como um espaço de convivência social e expressão identitária, onde diferentes gerações e segmentos da sociedade, incluindo mulheres e jovens, encontram formas de participação e reconhecimento.
Apresentada anteriormente em Portugal, a 24 de Abril deste ano, a obra percorre diferentes géneros musicais, desde o cancioneiro popular ao semba, kuduro e outras expressões que marcaram várias fases da História de Angola.
Editado pela Oficina da Escrita, o livro conta com 412 páginas e resulta de cerca de duas décadas de investigação. A obra integra ainda uma trilogia dedicada ao fenómeno musical angolano, da qual fazem parte os títulos “Semba” e “Muxima Luanda”, ainda por publicar.
Albino Carlos é jornalísta, e membro da Academia Angolana de Letras e da União dos Escritores Angolanos. Ao longo da sua carreira, foi distinguido com vários prémios, entre os quais o Prémio Nacional de Literatura (2014), com a obra “Issunje”, e o Prémio António Jacinto (2006), com “Olhar de Lua Cheia”.
Em 2019, recebeu o Globo de Ouro Angola com a obra “Caça às Bruxas”. Doutorado em Comunicação e Cultura, o autor tem uma vasta carreira académica e institucional, tendo dirigido o CEFOJOR e o ISUCIC, exercendo actualmente funções diplomáticas como ministro conselheiro na Embaixada de Angola na Sérvia.


