Arquivista e bibliotecário almeja classificação de Mbanza Kongo

A cidade de Mbanza Kongo, na província do Zaire, pode, no futuro, ser elevada à categoria de Museu ao Ar Livre, tendo em conta o vasto e riquíssimo acervo museológico que se encontra no seu solo, afirmou, o chefe da Área Administrativa do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico.
André Nlandu, que dissertou o tema “Mbanza Kongo: um Museu ao Ar Livre”, durante a Conferência “Dikanda do Reino do Kongo”, promovida no quadro das celebrações do 9º aniversário da elevação da região a Património Mundial da Humanidade e dos 520 anos da cidade, disse que os vários vestígios históricos, culturais, arqueológicos e religiosos, por desvendar, sustentam a sua defesa. O também arquivista e bibliotecário defendeu a necessidade dos investigadores, arqueólogos e historiadores no sentido de continuarem a investigar e documentar cada vestígio histórico que resultasse das futuras investigações, a fim de criar um centro ou arquivo. O especialista definiu o Museu ao Ar Livre como sendo uma categoria específica, onde vários vestígios históricos, arqueológicos, culturais e religiosos localizados em espaços externos integrados na paisagem e não confinados dentro de um edifício tradicional. Além dos vestígios históricos conhecidos, assegurou, Mbanza Kongo conserva no seu solo vários vestígios históricos que podem ser conhecidos no futuro, depois de trabalhos de escavações arqueológicas a serem realizados, o que vai enriquecer mais a ideia de transformar a região num verdadeiro Museu ao Ar Livre. “Temos o caso da árvore sagrada Yala Nkuwu, localizada no Lumbu Lua Ntotela, as 12 Fontes de Água, Tadi dya Bukikwa, as Ruínas do Kulumbimbi, o Cemitério dos Reis do Kongo, em que a sepultura mais antiga data de 1830, a Residência Real, hoje transformada em Museu Regional do Reino do Kongo, a Sé Catedral da Nossa Senhora, construída em 1901, o Edifício da Igreja Baptista, construído em 1878, a Residência do Secretário dos Reis, a sepultura da Dona Mpolo, mãe do rei enterrada viva, e o próprio Lumbu, que guarda as práticas ancestrais da comunidade Kongo, estão entre vários elementos que podemos apresentar e que podem, de facto, constituir como acervos ao ar livre do Museu que vai ser chamado Mbanza Kongo, onde os elementos estarão à disposição de todo num espaço aberto”, avançou. Logo após a inscrição da região pela UNESCO, lembrou, muitos especialistas já defendiam a ideia e o conceito de Museu ao Ar Livre daí ter sugerido a elaboração de um projecto de documentação do Centro Urbano de Mbanza Kongo, fundamentalmente dos vestígios históricos, arqueológicos, culturais e religiosos da capital do antigo Reino do Kongo. O Centro Urbano de Mbanza Kongo, garantiu, pode contribuir para o conhecimento colectivo do significado de cada elemento cultural existente na cidade de Mbanza Kongo, bem como na criação de um arquivo provincial, municipal ou centro de documentação local, com a missão de conservar o património documental para salvaguardar a história e identidade do povo kongo.



