A realização do Caldo do Poeira, que aconteceu no Lubango, foi recebida de forma positiva pelos artistas que integraram o cartaz, com destaque para Moniz de Almeida, Sabino Henda, Karina Santos, Neide da Luz, Julito da Vila,Esmeralda Tyiamba e Acácio Bambes, que enalteceram a experiência de actuar diante do público huilano.
Para os músicos, a produção do evento na Huíla representou mais do que uma oportunidade de espectáculo, constituindo um momento de reencontro com o público, partilha de experiências e valorização da música angolana.
Moniz de Almeida foi um dos artistas que esteve mais animado com a iniciativa do grupo organizador e do município anfitrião, por ser parte da sua infância e adolescência na Huíla.
“Voltar a actuar no Lubango tem um significado especial para mim. Esta cidade representa a minha trajectória artística. Regressar aos palcos desta cidade permitiu-me recuperar memórias e reviver momentos marcantes ligados à música”, disse o artista.
O autor do “Tio Zé” considerou ainda positiva a forma como o público recebeu a sua actuação, sublinhando que o contacto directo com os espectadores continua a ser uma das maiores forças de quem faz música.
“O reencontro com pessoas que me viram a crescer no Lubango serviu também para reafirmar a ligação construída ao longo dos anos que vivi nesta cidade com pessoas que gostam das minhas músicas”, realçou o artista.
Sabino Henda também destacou o ambiente vivido durante o Caldo do Poeira, sublinhando que, a pesar de já ter estado outras vezes no Lubango, esta participação na primeira edição do Caldo do Poeira, enquadrada nas Festas da Nossa Senhora do Monte, foi marcante pela forma como o público acolheu os artistas e pela dinâmica criada em torno da música.
A cantora Karina Santos manifestou satisfação por ter feito parte do cartaz e valorizou a oportunidade de levar a sua música ao público huilano. A artista considerou a passagem pelo Lubango uma experiência positiva e mostrou-se disponível para regressar à província em futuras edições.
Steve Victor Victor destacou a importância de ter um palco onde os artistas possam apresentar o seu trabalho a novos públicos.
Para o músico, actuar no Caldo do Poeira permitiu reforçar a divulgação do seu repertório e estabelecer uma ligação mais próxima com os apreciadores da música na Huíla.
Esmeralda Tyiamba valorizou particularmente a possibilidade de partilhar o palco com artistas de diferentes regiões do país. A intérprete considerou que encontros desta natureza contribuem para a troca de experiências e para o enriquecimento do panorama musical angolano.
Do Namibe, Acácio Bembes levou ao palco a sua proposta musical e destacou a recepção calorosa encontrada no Lubango. O artista considerou satisfatório apresentar o seu trabalho a um pú-
blico diferente e participar num evento que reuniu intérpretes de várias províncias.
As declarações dos artistas revelaram um sentimento comum de satisfação pela experiência vivida no Lubango, onde a música serviu de ponto de encontro entre diferentes gerações, estilos e públicos.
A presença dos intérpretes huilanos e convidados de outras províncias reforçou igualmente a dimensão cultural do Caldo do Poeira, ao permitir a circulação de repertórios e a aproximação entre artistas de diferentes espaços do país.
O coordenador do evento, Carlos Bequengue, considerou a aposta certa no Lubango, destacando a adesão de mais de 700 pessoas e a participação de apreciadores provenientes da Huíla, Malanje, Namibe, Benguela e Cunene.
O presidente do comité das Festas da Nossa Senhora do Monte, Paulo Gaspar, afirmou que as expectativas em torno da realização do evento foram superadas de forma positiva, numa demonstração da receptividade encontrada junto do público huilano.
Com o palco transformado num espaço de reencontro, celebração e partilha, o Caldo do Poeira deixou entre os artistas participantes uma avaliação positiva, sobretudo pela oportunidade de cantar para o público da Huíla e contribuir para a valorização da música angolana.
Clássicos do Lubango
A participação dos músicos com as perfomances ao vivo ficou marcada por alegria e emoção, reflectidas no encerramento com a vibrante exibição de Moniz de Almeida, o comboio dirigido ao som de Sabino Henda, os toques de dança nyanekha e nganguela com Acácio Bambis e Esperança Ntyamba, e para complementar os jovens artistas chamados à interpretarem os temas do passado.
O primeiro momento musical foi ao som de “Lalipó Lubango”, eternizado no disco “Estamos Juntos”, na ocasião interpretado por Kintino e Beth Coelho, para recordar o dueto Waldemar Bastos e Chico Buarque.
Outro tema obrigatório, que fala da cidade de braços abertos e da tera das maravilhas turísticas, introduzido no alinhamento, foi “Sá da Bandeira”, bem acolhido pelos presentes, com Dorgan Nogueira a reviver Belita Palma.
Numa celebração onde os homenageados foram Samora, a título póstumo, e Julito da Vila. Este último não deixou os créditos em “boca alheia”, cantou “Mulher de Angola” e “M’bila Kayende”, samba e semba gravados nos anos 70 com o conjunto Jovens do Prenda, dos amigos Chico Montenegro e Zé Keno.
Em palco, o jovem Camacho foi chamado para interpretar sucessos de Jacinto Tchipa e Dyabick, canções em umbundu com forte presença no imaginário sonoro angolano e teve tempo para recordar “Tentei tudo”, de Toy Salgueiro.
Os artistas do Lubango deram a conhecer temas autorais, com Esmeralda Ntyamba a representar a tradição em “Julgamento” e “Tuyeno”, enquanto Steev Correia Víctor trouxe a sonoridade mais aproximada à capital e deixou a mensagem com a sinistralidade nas estradas.
Neide da Luz deixou o seu perfume ao revisitar nomes que marcam a música angolana no feminino com destaque para Nany em “Diala” e “Tiba na Tuga”. Karina Santos fez dançar com os sucessos autorais com destaque para “Sangue Bom” e clássicos.
Sabino Henda, músico muito aclamado nas Terras da Chela, levou a alegria e cantou com emoção no alinhamento “Ofela”, “Gina”, “Tchiela”, a obrigatória “Embrião” e levou a tradição na rapsódia com a recolha de temas do imaginário ovimbundu.
Analtino Santos e Isabel Dungula | Lubango



