A directora do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), Cecília Gourgel, manifestou ontem, em Luanda, forte convicção na elevação do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, cujo anúncio oficial deverá ocorrer no próximo mês de Novembro.
O posicionamento foi partilhado durante uma tertúlia realizada no Palácio de Ferro, na capital do país, em celebração do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, que se assinala hoje.
Cecília Gourgel explicou que a candidatura do género musical e de dança angolano, submetida para integrar a lista representativa da humanidade, não recebeu, até ao momento, qualquer pedido de rectificação ou emendas técnicas.
“Acredito piamente na aprovação do Semba como um bem cultural mundial, porque, ao contrário do que aconteceu com o Sona — em que recebemos uma carta a solicitar a rectificação de quatro itens —, desta vez não recebemos nenhuma objecção. Isso é um sinal altamente positivo”, ressaltou a directora, acrescentando que o Ministério de tutela continua a trabalhar de forma efectiva no inventário e na sensibilização da sociedade para a preservação do património histórico-cultural nacional.
O evento contou ainda com a participação da especialista da UNESCO Maria Isabel, que relembrou os rigorosos critérios da Convenção de 2003 para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.
A especialista sublinhou, de forma incisiva, que a riqueza cultural de uma nação não reside apenas em monumentos ou edifícios históricos de pedra e cal, mas sim “vive nas pessoas”, manifestando-se de forma dinâmica por via do conhecimento ancestral, dos cânticos tradicionais e da dança transmitidos de geração em geração.
No encerramento dos debates, o prestigiado músico Dom Caetano e o especialista Jorge Mulumba reforçaram o optimismo colectivo em torno do anúncio decisivo da UNESCO em Novembro.
Ambos frisaram que a equipa multidisciplinar de Angola realizou um trabalho de pesquisa científica, registo etnográfico e documentação histórica muito apurado.
Este esforço foi fundamental para garantir que o dossier de candidatura do Semba chegue à montra cultural do mundo com a robustez necessária para conquistar este reconhecimento internacional inédito.
O ministro da Cultura, Filipe Zau, tem reiterado que o Semba é o maior símbolo da identidade nacional, funcionando como um elemento unificador que fortalece a nação.
Caso o parecer do Comité Intergovernamental seja positivo na reunião agendada para a China, a música e a dança tradicional angolana vão juntar-se ao centro histórico de Mbanza Kongo e aos desenhos na areia Sona, elevando Angola a um patamar de destaque na diplomacia cultural global.




