As cantoras Erika Nelumba e Margareth do Rosário, acompanhadas pela Banda Yetu, proporcionaram uma tarde de domingo de música e memória, no Almoço Angolano, ao revisitar alguns dos temas que marcaram os respectivos percursos artísticos e clássicos do cancioneiro nacional.
O encontro realizado, no Hotel Diamante, em Luanda, voltou a colocar em destaque a música angolana e a dar espaço às vozes femininas, numa iniciativa que procura conciliar a gastronomia nacional com a valorização e divulgação do património musical do país.
Com repertórios assentes em canções que marcaram as suas carreiras, Erika Nelumba e Margareth do Rosário levaram ao palco diferentes momentos das suas trajectórias, numa tarde marcada pela interpretação de temas conhecidos pelo público.
Erika Nelumba foi a primeira a subir ao palco. A cantora interpretou “Arrependimento”, “Amar Amar”, do seu mais recente single, e “Filha de Deus”, tema que a emocionou durante a actuação.
Em declarações ao Jornal de Angola, Erika Nelumba explicou que “Filha de Deus” tem um significado especial na sua trajectória, por lhe trazer à memória diferentes fases da vida.
“Quando canto esta música, recordo todo o percurso que enfrentei. Vêm-me à mente várias fases da minha vida, sobretudo pela mensagem que a música transmite”, afirmou.
A segunda parte da actuação esteve a cargo de Margareth do Rosário, que revisitou alguns clássicos do semba, entre os quais “Monami”, de Lourdes Van-Dúnem, e “Amo-te demais”, tema da sua autoria, recebidos com aplausos pelo público.
Para Margareth do Rosário, iniciativas como o Almoço Angolano deveriam realizar-se com maior frequência, por criarem oportunidades para os artistas mostrarem o seu trabalho e manterem contacto directo com o público.
“Devia haver mais projectos do género, que dão espaço e palco para os músicos trabalharem, sobretudo as vozes femininas”, defendeu.
A cantora manifestou igualmente satisfação por continuar a fazer parte do projecto, como uma das escolhas da organização.
“Sinto-me grata por ser sempre convidada para pisar este palco. Agradeço aos responsáveis por pensarem em mim e pela confiança que têm depositado no meu trabalho”, agradeceu.
A Banda Yetu também marcou presença no encontro, com uma actuação dedicada a alguns dos grandes clássicos da música angolana.
Entre os temas interpretados, estavam “Kandinha”, de David Zé, e “Monandengue”, de Artur Nunes. Já no fim da tarde, a banda acelerou o ritmo com “Avó Teté”, de Givago, levando o público a dançar e a acompanhar em coro a interpretação.
Formada maioritariamente por jovens instrumentistas e liderada por Lolito da Paixão, a Banda Yetu contou igualmente com a participação vocal de Mi Pascoal, proporcionando uma viagem pelos diferentes momentos da música angolana.



