A preservação das danças tradicionais e a aproximação das novas gerações às manifestações culturais angolanas estão entre as principais apostas do grupo Makino Mwa Ngola, que tem dedicado particular atenção à tchianda, ao chinguilamento e a outras expressões folclóricas.
A coordenadora e fundadora do grupo, Neusa André, disse ao Jornal de Angola que o colectivo procura aproximar os jovens de manifestações culturais com as quais muitos têm tido pouco contacto, criando uma ligação entre a tradição e a actualidade.
Entre as expressões que considera necessitarem de maior atenção, está a sambalage, da província do Icolo e Bengo, no município da Quissama. Segundo a responsável, a manifestação enfrenta dificuldades na transmissão dos conhecimentos e valores associados à sua prática.
“A dança é actualmente pouco praticada e tende a ser apresentada, sobretudo durante a época do Carnaval, situação que pode contribuir para a redução da sua transmissão entre as novas gerações”, alertou.
Para inverter o quadro, realçou, o grupo tem apostado na pesquisa, documentação e formação dos bailarinos, além da criação de condições para que crianças e jovens tenham contacto regular com as danças tradicionais.
“Queremos evitar que estas manifestações se percam com o tempo”, afirmou Neusa André, acrescentando que o colectivo pretende desenvolver workshops e acções de formação em escolas e comunidades.
Mais do que ensinar passos e coreografias, explicou, as formações devem permitir aos participantes conhecerem a origem, o significado e o contexto cultural de cada manifestação.
Ao longo dos seis anos de actividade, o Makino Mwa Ngola tem participado em iniciativas culturais em Luanda e noutras províncias. Para a fundadora, uma das principais conquistas do grupo é o crescente interesse dos jovens pelas danças tradicionais e o orgulho demonstrado pelas suas raízes.
A prática regular das manifestações, a formação dos bailarinos e a participação em actividades culturais, comunitárias e institucionais, disse Neusa André, fazem parte da estratégia do colectivo para manter vivas as expressões transmitidas de geração em geração.
Modernizar sem descaracterizar
Tornar as danças tradicionais mais atractivas para os jovens, sem perder a sua essência, garantiu Neusa André, ser um dos desafios assumidos pelo grupo. O projecto, explicou, procura implementar mais energia, criatividade e elementos de encenação nas apresentações, preservando os passos e as características fundamentais de cada manifestação.
“Sem transmissão de conhecimento, as tradições correm o risco de desaparecer. Pensamos, enquanto fazedores de arte, temos a responsabilidade de deixar um legado positivo às novas gerações e contribuir para a valorização e preservação das nossas danças e tradições”, defendeu.
A responsável apontou também a falta de apoio financeiro regular, a insuficiência de espaços para ensaios e os custos com deslocações e a aquisição de figurinos como alguns dos principais constrangimentos enfrentados não apenas pelo seu grupo, mas também uma realidade comum aos outros projectos semelhantes.
Fundado a 30 de Maio de 2020, na Terra Nova, município do Rangel, em Luanda, o Makino Mwa Ngola surgiu da iniciativa de jovens unidos pelo gosto pela dança e pelo compromisso de valorizar e divulgar a cultura angolana.
Dirigido e coordenado por Neusa André, que tem Eduarda Lengue como adjunta, o colectivo é constituído por 15 elementos e cinco colaboradores. Entre as principais manifestações artísticas trabalhadas pela agremiação estão os estilos tradicionais tchianda, chinguilamento, sambalage, folclore e as danças populares recreativas.



