Colóquio defende valorização da herança da cidade histórica

A preservação da identidade histórica e cultural da cidade histórica de Mbanza Kongo, na província do Zaire, não é incompatível com a inovação, progresso e o desenvolvimento sustentável da região, afirmou o administrador municipal, Zolana Avelino.
O responsável, que discursava no colóquio subordinado ao tema “Repensar Mbanza Kongo”, promovido no âmbito das festividades da cidade Património Mundial da Humanidade, assinaladas a 25 de Julho, explicou que o tema assenta na convicção de que Mbanza Kongo não é uma cidade estática, presa ao seu glorioso passado, mas um centro urbano dinâmico, em permanente transformação, capaz de se reinventar e responder aos desafios do presente e às oportunidades do futuro. “‘Repensar Mbanza Kongo’ significa compreender que a preservação da identidade histórica não é incompatível com a inovação, progresso e o desenvolvimento. Pelo contrário, é precisamente a riqueza do nosso Património Histórico e Cultural que deve servir de alicerce para construirmos uma cidade mais moderna, inclusiva, competitiva e preparada para responder às exigências do nosso tempo”, afirmou. Segundo Zolana Avelino, o objectivo é construir uma cidade de Mbanza Kongo que valorize a memória colectiva, mas que, simultaneamente, invista na ciência, investigação, educação, cultura, turismo, empreendedorismo e melhoria da qualidade de vida da população. Mbanza Kongo, acrescentou, deve honrar o passado, compreender o presente e projectar, com confiança e ambição, o futuro. Nesse sentido, considerou o colóquio uma oportunidade ímpar para reunir diferentes saberes e experiências, promovendo um debate aberto sobre os desafios que se colocam à cidade. “O conhecimento produzido deve traduzir-se em propostas concretas que contribuam para uma cidade mais moderna, inclusiva, resiliente, inovadora e preparada para responder às aspirações das gerações presentes e futuras”, acrescentou o sociólogo. O administrador municipal manifestou-se convicto de que o futuro de Mbanza Kongo pode ser tanto mais promissor quanto maior for a capacidade das comunidades de conciliar tradição e inovação, memória e progresso, identidade e desenvolvimento. O responsável acrescentou que repensar a cidade histórica significa reconhecer o legado dos antepassados e transformá-lo numa alavanca para o desenvolvimento sustentável, valorização do património, fortalecimento da investigação científica, promoção do Turismo Cultural, educação e dinamização da economia local. “Repensar Mbanza Kongo”, frisou, implica olhar para a História com orgulho, mas também com espírito crítico, sentido de responsabilidade e visão estratégica, transformando o legado herdado numa base sólida para impulsionar o desenvolvimento sustentável do município. O historiador e investigador da República do Congo Bruce Mateso, que dissertou sobre o tema “Mbanza Kongo, sua História e Fundação”, afirmou que não existe uma data exacta para a fundação do antigo Reino do Kongo, situando-a entre os séculos VIII e XI, uma vez que persistem aspectos históricos, políticos, económicos e militares que carecem de investigação aprofundada. Bruce Mateso defendeu que, após o aprofundamento desses aspectos, sobretudo por meio da tradição oral, os conhecimentos produzidos devem ser devidamente documentados, de modo a integrarem os programas de ensino académico e deixarem de estar restritos a grupos específicos. De acordo com o filósofo Feliciano Ruben Geraldo, “Repensar Mbanza Kongo” passa, em primeiro lugar, por reconhecer os esforços desenvolvidos ao longo da História até aos dias de hoje. Tal feito implica reapropriar-se, de forma lúcida, desse legado e projectar o futuro, visando um desenvolvimento contínuo e sustentável, orientado para o bem-estar das populações. Durante o colóquio foram debatidos temas como “Mbanza Kongo, sua História e Fundação”, “A Cultura como Vector de Desenvolvimento Económico”, “A Formalização da Actividade Mercantil Informal e o Alargamento da Base Tributária Local”, “A Modernização e Extensão da Cidade: Programa de Construção Dirigida” e “O Plano de Desenvolvimento Municipal de Mbanza Kongo”.


