Luanda - Os escritores angolanos Agostinho Neto, Luandino Vieira, Pepetela, Deolinda Rodrigues, Uanhenga Xitu e Boaventura Cardoso contribuíram, através das suas obras, para a denúncia do colonialismo e a valorização dos valores culturais africanos, afirmou, quinta-feira, o crítico literário Petelo Fidel.
Luanda - Os escritores angolanos Agostinho Neto, Luandino Vieira, Pepetela, Deolinda Rodrigues, Uanhenga Xitu e Boaventura Cardoso contribuíram, através das suas obras, para a denúncia do colonialismo e a valorização dos valores culturais africanos, afirmou, quinta-feira, o crítico literário Petelo Fidel.
O académico, que falava durante uma conferência promovida pela Academia Angolana de Letras (AAL), subordinada ao tema “Temáticas negritudinistas nas literaturas africanas”, destacou o contributo destes autores para a dignificação do homem africano e a afirmação da identidade cultural, no contexto da resistência ao domínio colonial.
Segundo uma da nota da AAL, enviada esta sexta-feira à ANGOP, para Petelo Fidel, as obras dos referidos escritores enquadram-se no movimento de valorização da cultura africana e de recuperação dos saberes tradicionais, princípios que orientaram a negritude enquanto corrente cultural, artística, ideológica e literária.
No caso angolano, o conferencista realçou igualmente o movimento “Vamos descobrir Angola”, que impulsionou a valorização da realidade nacional e a afirmação de uma literatura comprometida com a identidade cultural do país.
O também antigo vice-decano da Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto referiu ainda o contributo do padre Raul Altuna, autor da obra “Cultura tradicional bantu”, para o conhecimento e a valorização das tradições africanas.
Ao abordar o surgimento da negritude, lê-se no documento, Petelo Fidel explicou que o movimento emergiu na década de 1930, em Paris(França ), entre estudantes africanos, na sequência de um processo de afirmação da identidade negra iniciado anteriormente nos Estados Unidos da América.
Entre os principais representantes da corrente, mencionou os escritores Aimé Césaire e Léopold Sédar Senghor, bem como Alioune Diop, fundador da editora “Présence Africaine”, e o filósofo francês Jean-Paul Sartre, que apoiou o movimento através do texto “Orfeu negro”.
De acordo com o académico, a negritude teve como principais fundamentos a denúncia das atrocidades do colonialismo, a valorização das culturas tradicionais africanas e a consciencialização dos povos africanos sobre a importância da sua ancestralidade e dos seus saberes endógenos.
A conferência decorreu no âmbito do ciclo “Conversas da Academia à Quinta-feira”, e reuniu académicos de Angola, Bélgica, Brasil, Moçambique e Portugal, sob moderação do crítico literário Joaquim Martinho.
A próxima sessão está agendada para 5 de Novembro próximo, às 19 horas, com uma abordagem sobre “Colonialismo, luta de libertação e historiografia”, a ser apresentada pelo historiador Marcelo Bittencourt, por ocasião da sua posse como membro correspondente da instituição. CPM/ASS




