Cubango: anciãos de 86 e 80 anos unem-se em casamento religioso no lar de idosos

Um casal de anciãos, de 86 e 80 anos de idade, contraíram o casamento religioso na última segunda-feira, na Cidade de Menongue, numa cerimónia ocorrida no lar de acolhimento de pessoas da terceira idade, onde se conheceram há um ano.
Tratam-se do casal Berrichton Catata, de 86 anos, e de Maria Helena, de 80, que na última segunda-feira, e perante entidades locais, mostraram que o amor vale apenas.
O casal vive há anos no lar da terceira idade, no bairro Caviquevique, na cidade de Menongue, onde, na presença de várias entidades, decidiram jurar amor e fidelidade até ao fim da vida.
Na cerimónia religiosa, o casal mostrou-se feliz pela união. Conheceram-se há um ano no lar dos idosos. Decidiram oficializar a união, “por isso estão muito satisfeitos pela união deles, porque a partir de agora vão passar a cuidar um do outro, embora já numa idade já avançada, mas decidiram complementar-se e, porém, vão permanecer juntos até que a morte os separe”.
Estão no lar da terceira idade, 32 idosos, com histórias adversas. Cláudio da Silva, 65 anos de idade, há 11 anos no lar, diz que a relação com o agora casal é de irmandade e partilha.
“A nossa relação aqui é bem aquela, de irmandade”, afirmou.
“Um está na sociedade, o outro ajuda o outro. Estamos bem naquela, em conexão, amigos, amigas, geralmente, mas o nosso convívio está tudo bem. Estamos sendo bem cuidados”, acrescentou.
O enlace matrimonial dos anciãos, realizado no âmbito do Dia da Pessoa Idosa, a 30 de Novembro último, coube ao pastor Júlio Vipanda.
O líder religioso, afirmou durante a cerimónia que o acto simboliza o amor de Deus a todos. “Isso significa que o amor, a pessoa não pode viver só um solteiro”.
Fica como visita, sempre de conta o tempo. Mas o casado, símbolo de vivência especial. Este é o segundo casamento realizado no centro entre anciãos.
A responsável do lar, Rosa Afonso, diz que espera realizar mais casamentos na sua instituição, porquanto ninguém está proibido de amar e ser amado, do ponto de vista afectivo.
“Se conhecerem mesmo aqui no lar. Para o lar é grande alegria. Pelo menos a mamãe Helena tem aliança, o papai, a tata, a teta também têm aliança. Daqui para diante é só mostrar e aplicar o amor. E dê ao mais exemplo os outros que estão aqui para realizar mais o terceiro ou o quarto casamento”, afirmou.
Antes desta cerimónia religiosa pairavam muitas conversas, segundo as quais o ancião não queria deixar este mundo sem casar, beijar e amar uma mulher. Um pedido atendido pelas autoridades, que facilitaram o processo até o casamento, como frisou a vice-governadora provincial para a área política, económica e social, Helena Ximena.
“Manifestaram esse interesse de então celebrar este matrimónio, porque o senhor dizia que ele não queria morrer se não casasse. E fruto disso, de facto, as igrejas comoveram-se para a efectivação, então, deste lance matrimonial dos nossos mais velhos, nossos conselheiros, que muito contribuíram para essa nossa Angola, sobretudo a nossa província do Cubango”, disse.
A governante acrescentou ainda que aqueles idosos, encontram-se em situação de abandono familiar, razão pela qual se encontram no lar.
“ São pessoas que foram abandonadas pelas famílias, estão neste lar e ver ainda esta força, este vigor de ainda assim juntarem-se, para nós é de grande satisfação.



