Em 10 anos número de licenciados cresceu 133%, mas precisa de melhoria

Outorga de diplomas de Estudantes da Universidade Lusiada no Centro de Conferência de Belas.
Nos últimos 10 anos, o País registou um aumento de 133% no número de licenciados, ao passar de 13.547 graduados em 2013 para 31.503 em 2023, de acordo com cálculos do Expansão com base nos anuários estatísticos do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
O crescimento da oferta de vagas de graduação responde a uma necessidade que o País sentia, de aumentar o número de graduados, mas ficou limitada pela escassez de infraestruturas e de corpo docente, factores que restringiram a oferta formativa e impediram o crescimento quantitativo de cidadãos com formação superior.
As estatísticas confirmam esta tendência de crescimento: em 2013 foram lançados 13.547 graduados, em 2014 foram 12.395, em 2015 chegou aos 14.735, em 2016 aos 17.381, em 2017 a 21.310, em 2018 aos 21.661, em 2019 aos 29.652, em 2020-21 aos 27.058, em 2021-22 aos 29302 e em 2022-23 houve 31.503 graduados.
Na prática, o crescimento da oferta formativa traduz-se também noutro problema estrutural relacionado à qualidade e à capacidade dos quadros em dar respostas aos problemas do País e à atracção de mão-de-obra pelas empresas. Só para ter uma ideia, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) do último trimestre de 2025, dos 36,6 milhões de habitantes, apenas 1.903.389 angolanos com mais de 15 anos tinham um emprego formal em Dezembro de 2025.
Uma realidade que reflecte o desencontro entre a formação académica e a captação de quadros no sector do trabalho. Sob anónimo, um especialista revela que este crescimento reflecte o investimento que o Governo fez nos últimos 10 anos para aumentar o número de licenciados no País. Mas admite que o crescimento nem sempre caminhou a par com a qualidade de ensino desejado.
Ou seja, os números são animadores para as estatísticas apresentadas nos documentos oficiais, reflectidos essencialmente nos Planos de Desenvolvimento Nacional (PDN), no Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ) e do Plano de Desenvolvimento do Capital Humano (ACH).
Mas depois não têm respaldo na realidade. "Este aumento só revela mesmo a quantidade. O maior desafio do ensino superior é trazer qualidade. E já são visíveis as intenções de transformar a quantidade em qualidade através da atribuição de bolsas de estudos externas para estudantes e, fundamentalmente, para professores do ensino superior para dar volta a este problema", revela fonte.
Vagas sem aproveitamento
Apesar do aumento no número de licenciados da última década, o resultado apresenta uma diferença em termos de aproveitamento das vagas disponíveis a cada ano académico.
Por exemplo, as vagas de 2013 foram de 146.001 e só foram formados cerca de 13 mil, perfazendo uma diferença de mais de 132.454 vagas sem aproveitamento. Em 2014 a diferença foi de 98.895 vagas, em 2015 de 89.570, em 2016 de 93.705, em 2017 de 113.108, em 2018 de 132.362, em 2019 de 100.757, em 2020-21 de 124.868, em 2021-22 de 135.743 e em 2022-23 de 200.429.
A falta de aproveitamento das vagas é explicada por meio de um estudo solicitado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) que analisou a duração regular para concluir a formação superior no ano académico 2022-2023.
O estudo abrangeu 27 instituições de ensino superior públicas e 37 privadas, representando 97,8% do total de graduados do ensino privado. O estudo revelou que os estudantes demoram até cinco ou mais anos para concluir uma licenciatura, com maior eficácia nas instituições privadas. O estudo revelou um paradigma preocupante que condiciona a eficácia e o desperdício das vagas no ensino superior.



