A exposição colectiva “Cosmos e Natureza”foi inaugurada na quarta-feira na galeria Tamar Golan, na Ilha de Luanda, a mostra reúne 16 obras dos artistas Nkosi, Sérgio Embanga, Jlzar, Jorvi Muananzambi, Bozene, Johnson Mufaba, Pedro Masisa, Kondi Kiyumba e Leo Didi.
A exposição propõe diferentes formas de olhar para o mundo, sem os apreciadores das artes visuais conseguirem fazer uma única leitura para as obras apresentadas. Há cores, símbolos, corpos, paisagens e situações do quotidiano que se cruzam e convidam o visitante a parar diante da tela, observar e procurar uma interpretação própria.
Pouco antes de as portas da Galeria Tamar Golan se abrirem, na quarta-feira, em Luanda, as paredes já começavam a ganhar novas cores e entre artistas, convidados e apreciadores de arte, o ambiente era de expectativa.
Cada quadro colocado no espaço parecia carregar consigo uma história particular, mas, juntos, os trabalhos começavam a construir um diálogo comum sobre a natureza, a identidade, sociedade e a condição humana.
Para Jorvi Muananzambi, a participação na exposição colectiva marca também a sua primeira experiência na Galeria Tamar Golan.
A obra “Identidade Escondida” surge, segundo o artista, da necessidade de falar sobre aquilo que as pessoas vivem no espaço privado e que nem sempre deve ser exposto. A roupa que cobre o corpo, disse, surge como elemento simbólico para abordar a nudez, a intimidade e a necessidade de preservar determinados aspectos da vida pessoal.
“A vida não é fácil, é preciso ter muita força e objectivos”, explicou ao Jornal de Angola, defendendo que o trabalho e a perseverança podem transformar dificuldades em resultados positivos.
Força das cores
Nascido no município do Soyo, província do Zaire, Salomão Senga Amélia José, conhecido artisticamente como Jlzar, também parte no tema “Cosmos e Natureza” para construir uma interpretação própria.
Nas suas obras, a natureza aparece por meio de elementos reconhecíveis, mas ganha novas leituras por intermédio da cor. O artista explica que cada tonalidade utilizada têm um significado e que a opção por uma pintura viva procura aproximar a criação artística da realidade do mundo e das situações vividas no dia-a-dia.
Jlzar desenvolveu uma técnica que denomina “Tribo Cromático”, apresentada como uma das principais marcas identitárias da sua produção.
Mulheres que carregam o quotidiano nas ruas
Se algumas obras partem da natureza ou da intimidade, Pedro Masisa escolhe o quotidiano das ruas como matéria para a sua pintura.
Em “A Massa do Labor”, o artista coloca o olhar para as zungueiras, mulheres que diariamente percorrem as ruas em busca do sustento, transportando produtos e enfrentando as dificuldades da vida económica.
A figura da zungueira aparece, assim, como representação de força e resistência. Para Pedro Masisa, trata-se de uma homenagem às mulheres trabalhadoras e às mães angolanas, que considera uma força motora da sociedade.
Formado no Instituto de Belas-Artes de Kinshasa, na República Democrática do Congo, Pedro Masisa tem desenvolvido o seu percurso por meio de uma pintura ligada a questões sociais e à realidade que o rodeia.



