A exposição “Mosassauro – O Regresso do Monstro Marinho Angolano”, que apresenta o esqueleto de um gigantesco réptil marinho descoberto no deserto da província do Namibe, foi inaugurada na tarde de ontem, sexta-feira, pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, no Centro de Ciência de Luanda (CCL).
A mostra destaca a riqueza do património paleontológico angolano e proporciona aos visitantes a oportunidade de conhecer melhor o mosassauro, um réptil marinho que habitou os oceanos há milhões de anos, durante o período Cretácico. A exposição constitui uma excelente oportunidade de divulgação científica e de valorização das descobertas paleontológicas realizadas em Angola, contribuindo para o conhecimento da História Geológica do país, assim como para a sensibilização do público sobre a importância da preservação do Património Natural Nacional.
O ministro da Cultura considerou que a exposição não é apenas uma grande conquista da paleontologia contemporânea, mas representa um momento marcante e decisivo da História do Património Científico e Cultural de Angola. Segundo o governante, a mostra, que fica patente até ao final do ano, retrata um imponente predador marinho do período Cretácico que regressou, na quinta-feira, em exposição no CCL, não como um mistério enterrado sob as rochas das “praias e falésias, mas como uma testemunha viva da riqueza científica do nosso solo e mar”.
Para Filipe Zau, esta conquista não é um acaso; é fruto do trabalho árduo, persistente e apaixonado do projecto “PaleoAngola”, com várias expedições realizadas nas regiões do Bentiaba, no Namibe, hoje, reconhecida internacionalmente como uma das “rochas-tesouro” mais importantes para o estudo de vertebrados marinhos do Cretácico. De acordo com o pesquisador holandês Anne Schulp, os resultados apresentados foram fruto de uma estreita colaboração entre instituições e investigadores de Angola, dos Estados Unidos da América e dos Países Baixos, sob a égide do projecto PaleoAngola.
Há 90 milhões de anos
Segundo estudos científicos, os mosassauros foram répteis marinhos que viveram durante o período Cretácico, sobretudo entre cerca de 90 e 66 milhões de anos atrás. Eram animais gigantescos que dominaram os oceanos do planeta durante dezenas de milhões de anos.
Dependendo da espécie, podiam atingir entre 10 e 18 metros de comprimento, sendo o Mosasaurus Hoffmannii uma das maiores
espécies conhecidas. Apesar do seu tamanho impressionante, os mosassauros não eram dinossauros, mas sim répteis escamados, evolutivamente aparentados com os lagartos e as serpentes actuais, incluindo o dragão-de-komodo. Eram predadores marinhos poderosos e extinguiram-se há cerca de 66 milhões de anos, no final do período Cretácico.




