Os artistas Yuri da Cunha, Filipe Mukenga, Magary Lord e Gilmelândia representam os nomes mais sonantes no elenco do Festival de Música Brazuca Mangolê, a ser realizado, no domingo, no Clube S, em Luanda. O evento enquadra-se na celebração dos 204 anos da Independência do Brasil e na 17ª edição da Semana do Brasil em Angola.
O festival marca o ponto alto das actividades culturais e está inserido na tradicional “Feijoada da Independência”, encontro gastronómico regular na Semana do Brasil em Angola, numa celebração da cultura e arte popular.
Além das principais atracções, constam no cartaz, Kanda, Rallie, Parceiros do Samba, Banda Kalulu com Jazz, e para a música ambiente DJ Priscila e Josias, elenco seleccionado para proporcionar uma festa entre brasileiros e angolanos.
O brasileiro Edwagner, com o suporte dos Parceiros do Samba, foram escolhidos para abrir o momento da música ao vivo, para explorar com pagode e samba. Kanda é uma das referências actuais da kizomba e gueto zouk, estilos que vai levar em “Pardon”, “Estou a casar” e “Moço bonito”.
Outra proposta para mostrar o ecletismo e a versatilidade dos jovens instrumentistas angolanos é a Banda Kalulu com Jazz, o projecto artístico concebido pelo produtor e teclista Roland, que vai combinar em palco sonoridades angolanas e brasileiras.
Os principais representantes da “prata da casa” são Filipe Mukenga e Yuri da Cunha, que têm a missão de encerrar o momento musical. Os dois estão presentes pela relação profissional e emocional com artistas brasileiros que resultaram em colaborações musicais. Para a organização, os dois garantem uma exibição assente na essência da música de raiz e um ecletismo rítmico e da proximidade entre os dois países.
Embaixadores da Bahia
Do lado brasileiro, o bahiano, Magary Lord, acompanhado pelo guitarrista Fábio Alcântara, traz a fusão de ritmos, espelhado no “black semba” estilo que criou e presente em “Inventando à moda”, canção de referência. O artista regressa ao país depois da actuação na Roda de Semba de Yuri da Cunha, em Junho, repetindo a parceria no Festival Giro Conecta, em Janeiro deste, na cidade de Salvador, Bahia.
Gilmelândia carrega 25 anos de música e axé, numa jornada pelo Carnaval de Salvador e de conquista pelo Brasil e o mundo. A artista ganhou notoriedade no Brasil, em 1998, como vocalista da Banda Beijo e mais tarde na carreira a solo. Temas como “Bate lata”, “Maionese”, “Chegou o Verão”, dentre outras músicas e colaborações que a remetem como uma das divas do axé, com uma indicação no Grammy Latino, em 2005.
Raimundo Lima “Ralli” é cantor, compositor, empresário e comunicólogo brasileiro. Como artista, iniciou oficialmente a carreira musical aos 62 anos, em 2018, depois de décadas de actuação empresarial e profissional entre o Brasil e Angola. Em palco e no estúdio, apresenta um repertório eclético, reunindo músicas autorais, MPB, sambas, boleros e cancioneiro angolano.
Noite do cinema
Na sexta-feira, no Instituto Guimarães Rosa, a programação cultural vai ganhar destaque com a “Noite do Cinema”, onde vai ser exibido o filme brasileiro “Malês”. A sessão vai ser seguida de um debate com os actores brasileiros Antônio Pitanga e Camila Pitanga, o produtor Flávio Tambellini, além dos cineastas angolanos Sílvio Nascimento e Francisco Pedro “Keth”, promovendo um diálogo entre as cinematografias brasileira e angolana, suas narrativas históricas e seus laços culturais.
O filme “Malês” é baseado em factos históricos e retrata a Revolta dos Malês, a maior revolução da história do Brasil organizada por negros escravizados na Bahia, em Salvador. A insurreição mobilizou a população negra, escravizada e liberta pelas ruas de Salvador contra a escravidão em 1835.
A revolta foi chefiada por africanos muçulmanos e encabeçada por líderes como Pacífico Licutan (Antônio Pitanga), que reforçava a importância da participação de diferentes grupos, tribos e religiões para o sucesso da revolta e para o fim da escravidão.
A 17ª Semana do Brasil em Angola vai decorrer até a próxima segunda-feira, e visa assinalar o 7 de Setembro, Dia da celebração dos 204 anos da Independência do Brasil, evento que se tem consolidado como o maior encontro de integração empresarial, institucional e cultural entre o Brasil e Angola.



