Depois de 15 anos de interregno, o Festival Internacional de Cinema de Luanda - FIC Luanda, está de volta com a sua 8.ª edição e uma programação “rica e diversificada”, garante Jorge Cohen, responsável pela organização, que vai estrear os já reabilitados cines Alfa e Cine Teatro Nacional.Em declarações ao Jornal de Angola, Cohen avançou que o festival vai exibir mais de 100 filmes produzidos entre 2023 e 2026.
“Por causa do interregno que tivemos, decidimos então que os filmes angolanos que podiam se inscrever seriam aqueles lançados entre 2023 e 2026”, explicou.Ao todo serão seis competições: longa-metragem de ficção, documentário e curtas-metragens, tanto na categoria nacional como internacional. Só em competição serão exibidos mais de 60 filmes.
Até ao momento, a organização já recebeu mais de 50 inscrições de filmes nacionais. As inscrições vão até ao dia 30 de Agosto.O produtor do evento revelou que na programação internacional o FIC Luanda vai apresentar filmes que foram lançados em grandes festivais do mundo e que tiveram premiações entre 2025 e 2026.
A Nigéria foi escolhida como país convidado desta edição. “Teremos uma mostra com filmes nigerianos para exibir um bocadinho do que tem sido a indústria cinematográfica da Nigéria”, adiantou Jorge Cohen.
Mostras paralelas e formação
O festival também traz duas mostras paralelas. A primeira chama-se “Filmes da Independência”, que vai exibir obras produzidas nos anos que se seguiram à proclamação da Independência Nacional. A segunda é a “Visit Angola”, que pretende “mostrar Angola através do cinema”.
O festival vai também promover oficinas criativas, mesas-redondas e conversas abertas sobre cinema. Destaque ainda para o LuaLab, um laboratório para o desenvolvimento de projectos que ainda estão na fase de guião.Uma das novidades desta edição é o uso das salas recém-reabilitadas do Cine Alfa e do Cine Teatro Nacional para as exibições.
A produtora de cinema Geração 80 foi a empresa selecionada para organizar a 8.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda, o FIC Luanda, após concurso público lançado pela Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, a ANIC, órgão tutelado pelo Ministério da Cultura, explicou Jorge Cohen, responsável pela organização.“Estamos a organizar a oitava edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda.
Segundo o produtor, o valor pelo qual a Geração 80 concorreu foi de 160 milhões de kwanzas, valor já publicado pela ANIC.
Regresso do festival relança expectativas
Cineastas encaram FIC Luanda como oportunidade para intercâmbio internacional Após 15 anos de ausência, o Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC-Luanda) regressa e relança expectativas entre actores, realizadores e produtores, que encaram a iniciativa como uma oportunidade para dinamizar o sector, promover o intercâmbio internacional e criar novas perspectivas para o desenvolvimento do cinema angolano. Para o realizador Mawete Paciência, o regresso do FIC-Luanda representa uma oportunidade de dinamizar o sector cinematográfico nacional.
“É um exercício que temos todos de aplaudir. Os tempos são outros e é positivo que a organização tenha entregue a realização a grupos privados, isso demonstra vontade de evoluir. Nós, enquanto profissionais do sector, parabenizamos a iniciativa e estamos atentos para ver até onde vão continuar estes bons projectos”, afirmou.
Apesar de reconhecer a importância do festival, Mawete Paciência prefere aguardar pela sua concretização para avaliar os benefícios efectivos para o sector.Segundo o realizador, uma das principais vantagens poderá estar na troca de experiências, partilha de conhecimentos e criação de redes de contacto entre profissionais nacionais e estrangeiros.
O realizador acrescentou que a presença de profissionais provenientes de países como Nigéria, Brasil e países europeus poderá constituir uma oportunidade importante para o cinema angolano.“A grande vantagem do festival está no troca de experiências e conhecimento. É nesse intercâmbio que vejo uma das maiores potencialidades do FIC-Luanda”, disse.
Por outro lado, o actor Sílvio Nascimento declarou que o regresso do FIC-Luanda constitui uma oportunidade importante para a valorização do cinema angolano e dos seus profissionais.
“Temos estado a lutar ao longo destes anos, mas não podemos deixar de reconhecer o esforço do ministro da Cultura, Filipe Zau, que percebeu que vale a pena investir no cinema angolano”, destacou.
O produtor de cinema Edgar de Carvalho entende que o estival surge como uma oportunidade para a reactivação e dinamização das salas tradicionais de cinema, como os cinemas Alfa e o Teatro Nacional, considerando a iniciativa uma necessidade estratégica para o desenvolvimento do sector. Embora o festival constitua um importante espaço de promoção e intercâmbio, para o produtor, o caminho para o fortalecimento do cinema nacional passa também pela criação de editais públicos que incentivem a produção cinematográfica.
“Este é o caminho, mas o mais certo a ser trilhado são os caminhos dos editais. Editais que elevem o orgulho nacional por via do cinema e permitam que produtoras de diferentes dimensões possam ombrear na disputa por oportunidades de produção e na promoção da nossa identidade nacional”, defendeu.Valorização de festivais As opiniões não pararam por aí.
O produtor Leonel Pereira também manifestou sua posição, entende que o regresso do FIC-Luanda constitui um momento de grande relevância para o cinema nacional, por contribuir para a valorização e promoção dos festivais realizados em Angola.
O actor e produtor Silva Cangajo não tem dúvidas de que o festival vai contribuir para o desenvolvimento do cinema nacional, sobretudo num contexto marcado pela escassez de iniciativas capazes de criar espaços de exibição e valorização das produções angolanas.
“É um marco importante para o cinema nacional, porque temos falta de iniciativas desta natureza que permitam aos profissionais apresentar e dar visibilidade aos seus trabalhos. Há muita gente a produzir, mas ainda existem poucas plataformas onde essas obras possam ser exibidas e chegar ao público”, afirmou. O actor defendeu, por outro lado, que o festival deve ir além da dimensão cultural e contribuir para o fortalecimento económico da indústria cinematográfica.“O FIC-Luanda deve também gerar ganhos económicos para os fazedores de cinema e ajudar a alavancar o mercado. Precisamos de iniciativas que não só promovam os filmes, mas que criem oportunidades de negócio”, concluiu.
Pihia Rodrigues e Gil Vieira



