O escritor angolano José Eduardo Agualusa venceu o Prémio Iasnaia Poliana, atribuído pela Fundação Lev Tolstói, na categoria de Literatura Estrangeira, com o romance “Nação Crioula”, publicado originalmente em 1997, anunciou a editora Quetzal.
De acordo ao Jornal F8, em reacção à distinção, o autor considerou uma honra juntar-se à lista de escritores anteriormente reconhecidos pelo prémio, entre os quais Orhan Pamuk, Mario Vargas Llosa, Amos Oz, Julian Barnes, Yu Hua e Mo Yan.
Agualusa destacou igualmente a importância dos tradutores na divulgação internacional da literatura, afirmando que estes levam os livros a públicos que, de outra forma, dificilmente teriam acesso às obras.
A tradução russa de “Nação Crioula”, realizada por Varvara Makhortova, foi publicada em 2021 na revista literária Inostrannaia Literatura, cujo nome significa Literatura Estrangeira.
“Num tempo de tantas divisões, é reconfortante lembrar que a literatura continua a construir pontes entre povos, línguas e culturas”, declarou o escritor.
Na apreciação da obra, o júri considerou o romance um exemplo de qualidade literária, destacando a forma como aborda temas complexos, como a memória, o destino humano e a influência da História sobre o indivíduo, através de uma narrativa descrita como luminosa.
Publicado em 1997, “Nação Crioula” recupera a personagem Carlos Fradique Mendes, criada por Eça de Queirós, para narrar a sua relação amorosa com Ana Olímpia Vaz de Caminha, uma mulher nascida escrava que se tornou uma das figuras mais ricas e influentes de Angola.
A história decorre no final do século XIX e atravessa cidades como Luanda, Lisboa, Paris e Rio de Janeiro, num contexto marcado pela escravatura e pelas lutas abolicionistas. A narrativa cruza personagens históricas com figuras ligadas ao sistema esclavagista e aos movimentos contra essa prática.
Em 1998, o romance recebeu o Grande Prémio de Literatura RTP, em Portugal, consolidando o seu lugar na trajectória literária do autor.
Criado em 2003, o Prémio Iasnaia Poliana homenageia o legado do escritor russo Lev Tolstói, autor de obras como “Guerra e Paz” e “Anna Karénina”. A distinção é atribuída pela Fundação Lev Tolstói, dedicada à preservação da memória e do património literário do escritor.
Nascido em Angola, José Eduardo Agualusa tem obras traduzidas em mais de 30 línguas e prepara o lançamento de um novo livro, intitulado “A Arte da Deriva”, previsto para Novembro.




