O músico Julito da Vila defendeu a promoção de mais encontros que reúnam artistas de modo a criar mais intercâmbio na classe. O artista enalteceu o exemplo do Caldo do Poeira, cuja última edição aconteceu na Huíla e criou momentos de confraternização, amizade e partilha entre artistas.
Em declarações ao Jornal de Angola, o músico referiu que a interação entre artistas no mesmo palco permite contar história e a deixar uma mensagem para os mais novos.
Para Julito da Vila, uma das grandes vantagens do projecto é permitir que os jovens músicos tenham contacto directo com os artistas mais antigos e conheçam melhor as raízes da música angolana.
“Os mais novos precisam de conhecer quem veio antes deles, a música tem memória e essa memória deve ser transmitida de geração em geração”, defendeu.
O artista entende, igualmente, que a Huíla reúne condições para acolher iniciativas culturais de maior dimensão, devido ao interesse do público e à existência de músicos e grupos com diferentes estilos.
Julito da Vila considera que a realização do evento na província contribui ainda para a descentralização das actividades culturais, permitindo que os músicos tenham a possibilidade de actuar perante públicos de outras regiões do país. Além do mais, diz que pode contribuir para dinamizar a cultura local, incentivar novos talentos e fortalecer o gosto pela música angolana.
“Foi uma alegria voltar a participar e encontrar colegas, amigos e o público. Estes momentos fazem-nos sentir que aquilo que fizemos ao longo da vida não foi em vão”, disse.
O músico espera que o Caldo do Poeira continue a percorrer outras províncias, permitindo que mais comunidades tenham contacto com os artistas e com a História da música nacional.
Um jovem do Prenda
Natural de Calulo, no município do Libolo, província do Cuanza-Sul, nasceu a 4 de Janeiro de 1946, Julito da Vila construiu uma trajectória marcada pela música e pelo contacto com diferentes gerações de artistas angolanos.
A sua ligação às artes começou a ganhar força em 1967, quando vivia no bairro Prenda, em Luanda. Foi nessa época que conheceu Inácio Pedro, Kangongo, Chico Montenegro e Zé Keno, integrantes dos Jovens do Prenda, que tiveram influência no seu percurso artístico.
O contacto com os músicos e os ensaios da banda despertaram ainda mais o interesse de Julito pela música.
A partir daí, passou a desenvolver uma carreira que o levaria a cruzar palcos e projectos com alguns dos nomes importantes da música angolana. Em 1974, gravou o primeiro disco em vinil, intitulado “Mulher de Angola”, com o português João Canedo, nos Estúdios Norte, em Luanda. A obra foi fabricada pela Fadiang, no Bié, e editada com a etiqueta Rebita.
A sua história artística também está ligada a iniciativas culturais realizadas na província da Huíla. Entre elas destaca-se o Caldo do Poeira, em que assinala participações desde 2008, projecto que promove o reencontro de músicos e a valorização da memória da música angolana.
O percurso do artista inclui ainda a participação no Caldo da Mucunja, na Chibia, onde partilhou o palco com Samora, Toy Salgueiro, Kassinga, Dikambú e Sebastião. Este ano, Julito da Vila voltou a marcar presença no Caldo do Poeira, realizado pela na província da Huíla, reencontrando músicos e público num ambiente de celebração da música e da memória cultural angolana.
Para Julito da Vila, o evento cria uma oportunidade para os músicos reencontrarem o público e partilharem experiências construídas ao longo de muitos anos.
Segundo Julito da Vila, o Caldo do Poeira permite também aproximar diferentes gerações de artistas, possibilitando aos mais jovens conhecerem músicos que contribuíram para a construção da História da música angolana.
O artista destaca que a iniciativa ajuda a preservar a memória musical do país, sobretudo através do reencontro de intérpretes que marcaram diferentes épocas. Para Julito, recordar estes artistas é também uma forma de valorizar o património cultural angolano.



