O artista plástico Matondo Alberto apresenta, hoje, às 18h00, a exposição individual “Nsinga ya Mfumu”, na Galeria d’Maio, na sede da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), em Luanda, que vai ficar patente ao público até aos finais de Setembro.
A mostra, cujo título em kikongo significa “A mão do mestre”, reúne 11 obras produzidas em acrílico sobre tela, apresentadas em diferentes dimensões, propondo uma viagem pela identidade, memória e realidade cultural angolana, por intermédio do olhar e da experiência acumulada pelo artista ao longo de mais de quatro décadas de carreira.
Em declarações ao Jornal de Angola, Matondo Alberto explicou que a exposição se assume igualmente como uma homenagem à sua própria carreira e ao papel enquanto guardião de referências culturais.
A mostra traduz a profunda ligação que mantém com as raízes culturais, históricas e sociais do país. Nas obras do artista, essa relação manifesta-se por meio de contornos, tonalidades, traços e elementos tácteis que procuram reflectir diferentes dimensões da realidade angolana.
Conforme o artista, “Nsinga ya Mfumu” pretende proporcionar ao visitante uma experiência sensorial e expressiva, na qual o domínio técnico da pintura se cruza com uma narrativa visual marcada pela tradição e pela identidade.
Cada tela, explicou, apresenta diferentes camadas de significado, construídas a partir de linhas, silhuetas, expressões e traços que remetem para as múltiplas experiências culturais observadas ao longo das viagens que realizou por diferentes continentes.
Um total de 11 obras expostas
Entre as obras seleccionadas para a mostra, figuram “A Vida Social”, “Maternidade”, “Se beberes, não conduzas”, “Aflições da vida”, “Aldeia do Norte”, “Praça arreio-Arreio”, “Magia Negra”, “A minha mãe”, “Os Pássaros da Ilha”, “As Adolescentes Africanas” e “Imbondeiro”.
Para Matondo Alberto, “A Mão do Mestre” representa também uma celebração da experiência, da técnica e do legado construído ao longo da sua carreira artística.
O artista considera que o exercício permanente da pintura, aliado à força criativa e ao domínio de diferentes materiais, constitui parte essencial do processo de criação. Os dedos e os pincéis, sublinhou, tornam-se instrumentos através dos quais a inspiração ganha forma e se transforma em obra.
A exposição assume-se igualmente como uma homenagem à própria carreira do pintor e ao seu papel enquanto guardião de referências culturais. Através das obras, o artista convida o público a conhecer não apenas a sua linguagem plástica, mas também aspectos da sua sensibilidade humana e da sua postura enquanto criador.
Mais de 40 anos dedicados à pintura
Nascido a 30 de Dezembro de 1947, em Maquela do Zombo, província do Uíge, Matondo Alberto formou-se em Pintura pela Academia de Belas-Artes de Kinshasa, na República Democrática do Congo.
Membro efectivo da União Nacional dos Artistas Plásticos desde 1979, participou no processo de afirmação das artes plásticas angolanas no período pós-Independência.
Ao longo de mais de quatro décadas de actividade artística, participou em numerosas exposições individuais e colectivas, em Angola e no estrangeiro. As suas obras chegaram a países como França, Itália, Portugal, Brasil, Rússia, Bélgica, Holanda, Suíça, Canadá, Estados Unidos, Japão, China e Zimbabwe.
Entre as exposições individuais realizadas ao longo da carreira, destacam-se as apresentadas na Galeria da UNAP, Galeria Celamar, Coop Arte, Hotel Sheraton, em Harare, SI Expo, Rádio Nacional de Angola, Angola Telecom e Embaixada de Angola em Portugal, além de participações em Itália, Holanda, Bélgica e Suíça.
O percurso do artista inclui a participação em importantes iniciativas culturais, entre as quais o FENACULT, a Semana Angolana em França, a Semana da Cultura Angolana, mostras de arte contemporânea no Brasil e na Itália e a Feira Internacional de Luanda (FILDA).
Matondo Alberto participou igualmente em exposições promovidas pela UNAP, pela Embaixada de Angola na Inglaterra e pela Embaixada de Espanha em Angola, além de projectos realizados em Portugal e República do Congo. No percurso internacional, destacam-se ainda a participação na Expo-Japão, em Yokohama, e na Expo-Xangai.



