Ministério da Cultura prepara novas escavações arqueológicas

Os trabalhos de prospecção e escavações arqueológicas para a descoberta do vasto acervo histórico soterrado em Mbanza Kongo, província do Zaire, podem arrancar a qualquer momento.
O Ministério da Cultura tem, em carteira, um projecto para o efeito, disse, ontem, ao Jornal de Angola, o chefe da Área de Administração e Gestão do Gabinete Técnico do Centro Histórico de Mbanza Kongo, André Nlandu.A informação foi avançada à margem das celebrações do 9.º aniversário da inscrição de Mbanza Kongo na Lista do Património Mundial da UNESCO, assinalado a 8 de Julho. Segundo André Nlandu, existem fortes indícios de que o subsolo da antiga capital do Reino do Kongo conserva um vasto Património Arqueológico anterior ao século XV. “Há a necessidade de desenterrar mais esta cidade. Como sabem, quase nada restou dos séculos XV e XVI nesta região. Os monumentos que temos actualmente são relativamente recentes. Muitos vestígios arqueológicos dessa época permanecem soterrados e precisam ser trazidos à superfície para serem colocados à disposição do público”, afirmou. O responsável explicou que o centro urbano de Mbanza Kongo continua a ser uma área de elevado potencial arqueológico, razão pela qual defende a continuidade das intervenções científicas. “Toda a riqueza arqueológica, que ainda não está acessível às pessoas, precisa ser desenterrada. Estamos convencidos de que existe um incalculável acervo histórico enterrado no solo da cidade”, sublinhou. André Nlandu acrescentou que existe vontade institucional para relançar o projecto, aguardando-se apenas pelas condições necessárias para o início dos trabalhos. “Acreditamos que há muitos vestígios por descobrir, porque o centro da cidade de Mbanza Kongo é, por excelência, um espaço de grande potencial arqueológico”, reforçou. O responsável considerou que a retoma das escavações vai permitir revelar ao mundo uma parte significativa da História escondida da antiga capital do Reino do Kongo. Para isso, acrescentou, será igualmente importante a conclusão das obras do futuro Aeroporto Internacional Nimi a Lukeni, cuja entrada em funcionamento permitirá desactivar o actual aeroporto localizado no centro da cidade. A transferência da infra-estrutura aeroportuária vai abrir caminhos para a expansão da área de escavação arqueológica e para o alargamento da zona classificada e da respectiva área de protecção. Os trabalhos vão contar com o apoio de instituições nacionais e internacionais, dentre as quais o Instituto do Património Cultural, o Museu Nacional de Arqueologia de Benguela, universidades angolanas e especialistas estrangeiros. No plano local, André Nlandu destacou o papel da Escola Superior de Ciências, Artes e Humanidades, que está a formar jovens nas áreas de Arqueologia e História.



