O ambiente marcado pela responsabilidade de levar ao palco uma história construída a partir da obra e trajectória da escritora Maria Eugénia Neto, levou o projecto Lucengomono Artes a apresentar, na quinta-feira, como proposta cénica, a peça “Sem Título”, no Teatro Elinga, em Luanda, integrada na programação de espectáculos da 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT).
Baseado num texto inédito da escritora Maria Eugénia Neto, intitulado “Que dizer-te meu amor”, o espectáculo estabeleceu também um diálogo com excertos do conto “Quem traiu Mandume”, de Diogo Joaquim Manuel “Barbosinha”, incluído na obra “Contos de Serão”.
De acordo com a sinopse, a dramaturgia incorpora fragmentos poéticos de Agostinho Neto, António Jacinto e Otília Adriano, numa composição contemporânea que procura revisitar experiências e inquietações presentes no quotidiano dos povos em Angola.
Mais do que uma representação biográfica, o espectáculo propõe uma viagem a memórias, textos e contextos associados à escritora, cruzando-os com questões que continuam a marcar a sociedade angolana. Literatura, política, cultura, dificuldades da classe artística e desafios sociais encontram-se no palco numa narrativa que procura estabelecer uma ponte entre diferentes tempos.
A dramaturgia incorporou fragmentos poéticos de Agostinho Neto, António Jacinto e Otília Adriano, numa composição contemporânea que revisita experiências e inquietações relacionadas com o quotidiano dos povos em Angola.
No palco, “Sem Título” constrói-se a partir de uma linguagem em que a palavra não aparece isolada. O som, gesto, corpo, voz e os objectos participam igualmente na construção da narrativa.
A peça percorre temas como a vida, morte, ressurreição, ancestralidade, os medos e silêncios, colocando em confronto a realidade e a imaginação. A utopia e a esperança surgem como elementos de uma história de libertação, marcada pela procura de melhores condições para a sociedade, e, em particular, para os agentes culturais.
Para a actriz Otília Adriano, interpretar personagens ligadas ao universo de Maria Eugénia Neto e recitar textos da escritora constituiu um dos maiores desafios da criação.
Para o director Artístico do projecto Lucengomono Artes, Francisco Makiesse, esse cruzamento entre memória e presente esteve no centro do processo criativo.
O director Artístico revelou que foram necessários cerca de três meses de preparação para levar “Sem Título” ao palco. O processo, explicou, esteve assente em dois eixos: a abordagem dos textos e da trajectória de Maria Eugénia Neto e a reflexão sobre problemas que continuam a marcar a realidade social e cultural angolana.
O espectáculo contou com Adriano Atenas, Otília Adriano e Evandro Neto no elenco. A direcção, dramaturgia e encenação são de Francisco Makiesse, enquan- to a produção Executiva está a cargo de Patrícia Rodrigues e Nochy Malungo.
Manuel Gonçalves partilha trajectória e memórias no Circuito de Teatro
As memórias de uma vida dedicada à cultura vão estar em destaque, hoje, às 16h00, durante a “Conversa com o Homenageado – Manuel Gonçalves”, actividade integrada na 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que decorre, no Teatro Elinga, em Luanda.
O encontro, segundo a organização, pretende criar um espaço de diálogo entre o homenageado e o público, a partir das experiências que marcaram o seu percurso pessoal e profissional.
A iniciativa, explicou, propõe uma conversa aberta sobre os caminhos percorridos por Manuel Gonçalves, as escolhas que influenciaram a sua trajectória e as circunstâncias que o aproximaram de diferentes áreas da vida social e cultural angolana.
De acordo com a organização do CIT, o encontro assume a dupla dimensão de celebrar o percurso do homenageado, e, ao mesmo tempo, transformar as suas memórias em matéria de reflexão para o presente e o futuro.
Ao longo da conversa, o público vai ter a oportunidade de conhecer episódios da vida do homenageado, compreender as motivações por trás das suas escolhas e acompanhar as diferentes etapas de um percurso construído entre várias áreas de intervenção.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, Manuel Gonçalves explicou que a proposta é transformar o encontro num momento de partilha de experiências, tendo como principal foco a sua trajectória profissional e as realizações que considera marcantes no seu percurso.
O homenageado pretende igualmente abordar as motivações que estiveram na base da construção do seu percurso enquanto homem ligado à cultura, à educação, ao desporto e ao Direito, sem deixar de lado a dimensão religiosa, que também considera determinante na sua formação enquanto cidadão.
A conversa, disse, enquadra-se na proposta do CIT de promover momentos de encontro entre artistas, agentes culturais e público, contribuindo para a preservação da memória de personalidades que ajudaram a construir diferentes capítulos da História cultural e artística do país.
Ao colocar Manuel Gonçalves no centro de uma conversa pública, o Circuito Internacional de Teatro procura também aproximar as novas gerações de experiências que, muitas vezes, permanecem restritas à memória de quem as viveu.



