O dramaturgo angolano José Mena Abrantes está no Brasil para prestigiar o lançamento do livro “José Mena Abrantes - Um Teatro Histórico-Fantasioso”, que reúne três das mais de duas dezenas de peças da sua autoria, respectivamente “Kimpa Vita - A Profetiza Ardente”, “Sequeira, Luís Lopes ou Mulato dos Prodígios” e “Tari-Yari - Misericórdia e Poder no Reino do Congo no tempo de Kimpa Vita”.
Organizado pelo director de teatro brasileiro Gil Vicente, o livro vai ser lançado hoje, às 16h00, na Universidade Federal da Bahia, onde o autor angolano vai igualmente proferir à aula inaugural que marca a abertura de mais uma etapa do curso de Teatro naquela instituição de ensino.
Segundo Gil Vicente, em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a intervenção e a disponibilidade das obras de José Mena Abrantes para o público brasileiro resulta na necessidade de trazer uma perspectiva do teatro africano contemporâneo, evocando aquilo que se tem feito no continente, que possui figuras de destaque na dramaturgia mundial.
“Aqui no Brasil, existe uma tendência de trazer uma África imaginária, reduzida à tradição e ao primitivo, como se não existisse dramaturgia contemporânea, directores e actores a fazer peças consistentes. Essa perspectiva de uma África primitiva, tradicional, de manifestações religiosas e mitológicas, uma imagem que não condiz com tudo que vem realizando, será abordada na palestra”, revelou.
Gil Vicente explicou que a relação com José Mena Abrantes remonta há duas décadas, logo depois da sua formação na escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, tendo cumprido seis meses em Portugal, através do projecto Cena Lusófona, onde teve acesso à publicação de vários autores renomados, incluído o dramaturgo angolano.
“Desta vez conseguimos trazê-lo para cá, neste evento que chamamos Diálogos Sobre a Dramaturgia Contemporânea. Esse evento já teve algumas edições com convidados brasileiros e estrangeiros. A direcção da universidade abraçou a ideia com muito entusiasmo”, disse.
Sob chancela da editora brasileira Edufba, o livro, composto por 205 páginas, traz, além de três das peças emblemáticas do autor, que misturam História colonial e fantasia, ensaios críticos sobre as obras e uma palestra sobre as perspectivas de fazer teatro em África.



