O artista plástico Matondo Alberto reafirmou, quarta-feira, o seu percurso nas artes visuais com a exposição individual “Nsinga ya Mfumo”, que reúne onze obras em acrílico sobre tela e revela a sensibilidade e os traços culturais que marcam a sua produção artística, resultado de uma experiência e de um legado cultural construídos ao longo de décadas de carreira.
Entre as obras apresentadas na Galeria d’Maio, na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), e que vão estar patentes ao público até ao dia 26 de Setembro, constam “A Vida Social”, “Maternidade”, “Se Beberes Não Conduzas”, “Aldeia do Norte”, “Aflições da Vida”, “Praça Arreiou Arreiou”, “Magia Negra”, “As Adolescentes Africanas”, “Ah, Minha Mãe”, “Imbondeiro” e “Os Pássaros da Ilha”.
Por meio dessa exposição, Matondo Alberto sublinha o seu papel de mestre e guardião de traços culturais, convidando o público a reflectir sobre a sua personalidade a partir das obras, da leveza da sua sensibilidade humana e da sua postura enquanto pessoa, numa abordagem que conduz igualmente ao reconhecimento e ao mais elevado respeito pela sua carreira.
O evento contou, no início, no pátio da UNAP, com um momento cultural protagonizado pelo grupo musical tradicional Mona Nzambe da Ilha, que interpretou vários temas do cancioneiro angolano. O momento reuniu artistas, membros da UNAP e diversas pessoas que circulavam pela zona.
À saída do local, o artista Matondo Alberto explicou que “Nsinga ya Mfumo”, expressão em língua kikongo traduzida para português como “A Mão do Mestre”, abre ao observador um espaço de imersão sensorial e expressiva, onde o domínio técnico se alia a uma narrativa visual contundente.
“Cada tela revela camadas de significado, enraizadas nas múltiplas expressões, traços, linhas e silhuetas da tradição e da identidade, baseadas nas muitas viagens realizadas pelo artista pelos diferentes continentes”, disse.
Com uma carreira que ultrapassa quatro décadas, Matondo Alberto traz à tona, nas suas obras, uma profunda conexão com as raízes culturais, históricas e sociais do país, reflectindo a alma angolana através de contornos, tonalidades e elementos tácteis.
Já o artista Álvaro Macieira, que possui na sua colecção cerca de quatro obras de Matondo Alberto e que acompanhou o seu percurso ao longo de vários anos enquanto jornalista cultural, explicou que “Matondo Alberto é um grande artista de uma escola que vem lá do além-fronteiras, com uma técnica fabulosa que ainda hoje continua a impressionar. Isto é arte que prevalece no espaço e no tempo”.
Álvaro Macieira destacou, igualmente, que o artista continua a ser um pilar da União Nacional dos Artistas Plásticos, instituição que celebra actualmente 49 anos desde a sua constituição.
“O Matondo está, desde o início desta actividade, a dar força à UNAP. Sobretudo logo na primeira década, brindou-nos com a sua sabedoria, com a sua sapiência, com a sua técnica artística e com o seu conhecimento cultural, que abarca toda esta nossa região de África”, disse.
O secretário-geral da UNAP, Domingos Mabuaca, explicou que a exposição “Nsinga ya Mfumo” faz parte dos programas do novo mandato da instituição, na sequência das eleições realizadas recentemente, em Luanda.
“Um dos nossos objectivos é apoiar os mais-velhos, fazer com que eles se tornem nossos conselheiros e dar visibilidade ao trabalho que desenvolveram ao longo dos anos, para que os mais novos possam seguir os seus exemplos e, sobretudo, preservar o seu legado”, finalizou o responsável.



