População exortada a valorizar estatuto de Património Mundial

A população de Mbanza Kongo, na província do Zaire, precisa reapropriar-se da dimensão cultural do estatuto de Património Mundial da Humanidade, para que traga ganhos na sua vida, defendeu o seu administrador municipal, Zolana Avelino.
O responsável, que falava à imprensa, no âmbito dos festejos do 9.º aniversário da elevação da região a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, a 8 do mês em curso, bem como dos 520 anos da cidade, que se assinalam no próximo dia 25, acredita que, com a instalação de Indústrias Culturais, pode-se atrair investimentos que tragam benefícios sociais à vida dos seus habitantes. “A cultura é um capital simbólico, mas, deve ser um vector de desenvolvimento. Podemos vender a cultura no sentido nobre da palavra, promover essa cultura, para poder atrair investimentos, projectos sociais, e porque não desenvolver, também, Indústrias Culturais, ou seja, temos problemas sociais. O povo de Mbanza Kongo precisa apropriar-se dessa dimensão cultural, reapropriar-se do estatuto de património, mas o estatuto de património, se no meu dia-a-dia, na minha vida, não traz absolutamente nada, em termos de investimentos, é evidente que, se torna algo sem interesse”, frisou. De acordo com Zolana Avelino, toda a franja da sociedade, com destaque para a juventude, precisa reconhecer-se através do estatuto, ou seja, promover determinadas actividades com relação directa ao capital cultural simbólico, mas não deve ser numa vertente autoritarista, e sim através da dimensão cultural, só assim se pode se reapropriar no sentido real do estatuto, para viver de rendimentos que dele adviriam. “As indústrias estão a fazer obras de artes, e se através delas atrair mais clientes, se consegue através da fama de ser de Mbanza Kongo desenvolver várias actividades que assustem a sua vida, assim a cultura simbólica faz sentido”, acrescentou. O administrador de Mbanza Kongo lembrou que não se come a cultura, mas pode ser um vector de desenvolvimento socioeconómico, à semelhança do que ocorre em diferentes países do mundo, tais como Senegal, Benin, provavelmente, França e outros, que têm um turismo pujante, através do capital simbólico representado por vários edifícios e monumentos históricos, cuja fama mundial atrai turistas e investimentos que alimentam a economia local. Zolana Avelino acredita que o futuro de Mbanza Kongo, enquanto património, passa pela internacionalização, abrir-se ao mundo, quer dizer, abrir as portas, para atrair turistas, investimentos, pesquisadores e outros, e tudo na base da cultura como vector de desenvolvimento. Mas, a cultura por si só não funciona, mas, sim, como instrumento do desenvolvimento socioeconómico. A internacionalização de Mbanza Kongo, enquanto Património Mundial da Humanidade, garantiu, já começou a ser implementada no estrangeiro, no sentido de se tornar, de facto, num vector de desenvolvimento, após a sua participação numa conferência, em Bruxelas, Bélgica, a convite da União Europeia, sob lema “O papel da memória nas relações a União Europeia e África”.



