A Organização dos Professores e Amigos de Língua Portuguesa de Malanje (OPALPM) promoveu, naquela província, uma roda de debate sobre a situação etnolinguística local, com particular atenção à relação entre o kimbundu e o songo.
O encontro, subordinado ao lema “A Situação Etnolinguística de Malanje, Supremacia do Kimbundu e a Afirmação Geo-histórica do Songo”, reuniu, no fim-de-semana, académicos, professores, investigadores, estudantes e outros interessados na História, cultura e linguística dos povos da província.
Durante o debate, foram analisadas questões relacionadas com a convivência histórica entre os povos ambundu e vassongu, bem como a presença e o papel das respectivas línguas no contexto sociocultural de Malanje.
O presidente da OPALPM em Malanje, Antero António, explicou que uma das principais questões levantadas, durante o encontro, esteve relacionada com a classificação do songo.
“Alguns especialistas defendem que o songo constitui uma variante do kimbundu, enquanto outras posições apresentadas no encontro questionam essa interpretação e apontam para a necessidade de estudos científicos mais aprofundados”, explicou.
Segundo Antero António, os elementos apresentados, durante o debate, não permitiram estabelecer, de forma conclusiva, uma origem directa do songo no kimbundu. Por essa razão, defendeu o reforço da investigação académica sobre a evolução, a estrutura e a identidade das duas línguas.
O responsável considerou que cada língua deve ser estudada a partir das suas características, variantes, estruturas e formas de expressão, tendo em conta os respectivos contextos históricos e culturais.
“O kimbundu dispõe actualmente de maior produção bibliográfica e de maior divulgação em materiais de estudo. Essa realidade, porém, não deve resultar na desvalorização ou marginalização do songo”, afirmou.



