Projecto literário fortalece formação de novos autores

A organização “AM Leitura que Liberta” está a consolidar, na província do Namibe, um conjunto de iniciativas destinadas à promoção da leitura, incentivo à produção literária e formação de novos escritores, por meio da realização de acções de capacitação, concursos e programas de orientação para autores em início de carreira.
Criada em 2024, a associação nasceu para responder à escassez de projectos dedicados à literatura na província e tem como principal missão estimular o gosto pela leitura, apoiar jovens talentos e contribuir para o enriquecimento do património literário local. Em declarações ao Jornal de Angola, o secretário Executivo da organização, Adriano Mupinga, explicou que, desde o arranque efectivo das actividades, em 2025, a instituição tem promovido workshops, formações e sessões de acompanhamento destinadas a escritores iniciantes, procurando criar condições para o surgimento de uma nova geração de autores. Segundo o responsável, a aposta na formação constitui um dos principais pilares da associação, por permitir que muitos jovens desenvolvam competências de escrita e encontrem espaço para divulgar os seus trabalhos. Entre as iniciativas actualmente em execução destaca-se um projecto de caligrafia, dirigido a alunos do ensino primário e do I Ciclo do Ensino Secundário, concebido para estimular o contacto com a escrita desde as primeiras etapas da formação escolar. A organização prepara igualmente o lançamento do Prémio Provincial de Poesia, iniciativa que pretende identificar, distinguir e incentivar novos talentos da literatura angolana, bem como promover, ainda este ano, as Jornadas Literárias 11 de Novembro, evento que deverá reunir escritores, artistas, estudantes e amantes da literatura para debates, apresentações de obras e intercâmbio de experiências. Custos elevados Apesar dos avanços registados, Adriano Mupinga reconheceu que um dos maiores obstáculos enfrentados pelos escritores locais continua a ser o elevado custo da publicação de livros. De acordo com o mentor do projecto, a edição de uma obra com cerca de 100 páginas e uma tiragem de 300 exemplares pode exigir um investimento mínimo de 2,5 milhões de kwanzas, valor considerado incomportável para grande parte dos autores em início de carreira. Na sua perspectiva, esta realidade acaba por limitar a concretização de muitos projectos literários e reduz as oportunidades de divulgação de novos escritores. Por essa razão, defendeu um maior envolvimento das instituições públicas e do sector Privado na criação de editoras e no fortalecimento da Indústria do Livro na província.



