O projecto denominado "Estação Experimental", uma colaboração entre a Africell Impact Foundation e a Kino Yeto, visa promover artistas, e a primeira contemplada à residência artística, durante três meses, é Sarhai que, no final da residência, vai realizar uma exposição individual prevista para o mês de Novembro.
A iniciativa foi apresentada, na quinta-feira passada, na Galeria 10A da Africell, em Luanda. O percurso artístico de Sarhai tem o acompanhamento dos criadores Edson Chagas, Paula Nascimento e Mellissa Rodrigues.
Ao longo do programa, a artista seleccionada, num universo de 50 inscritos, disse que conta com apoio financeiro para a produção artística.
Sarhai afirmou que deseja tornar-se numa criadora conhecida e impactar a sociedade por via dos trabalhos que vai desenvolvendo.
Quanto à experiência da residência artística, confessou que está a permitir ter um olhar diferente dos factos sociais, porque durante muito tempo a sua criação baseava-se em questões ligadas à violência e ao abuso contra menores.
"Ao longo desta residência, estou a ter a oportunidade de entender melhor os diferentes factores sociais e sair um pouco da minha zona de conforto. Entendo que abordar a violência e abuso contra menores me deixava confortada, mas com a residência estou a aprender outros fenómenos".
Sarhai referiu que uma das coisas que aprendeu com a residência é a valorização da cultura nacional, e tem desenvolvido pesquisa sobre a medicina natural e a cultura do país, e entendeu a importância de valorizar mais e ter o espírito de pertença.
A directora executiva da Kino Yetu, Ana Bartolomeu, explicou que o projecto "Estação Experimental" serve para valorizar os artistas visuais e plásticos, no sentido de criar novas dinâmicas de interacção e desenvolvimento artístico e social.
"O projecto vem contextualizar aqui que acreditamos na criação artística, que não é necessariamente o resultado apresentado, mas sim a criação do processo, de modo a gerar maior interacção da comunidade, desenvolvimento artístico e permite ao artista fazer uma pesquisa aprofundada", ressaltou, tendo acrescentado que a arte deve ser entendida como processo de continuidade.
Já o responsável crítico da Africell Angola, Sued de Oliveira, sublinhou que o "braço" cultural e social "Africell Impacto Foundation" participa de forma integral no desenvolvimento artístico dos criadores angolanos.
A preservação cultural, prosseguiu, depende de iniciativa e investimento inter-no, por isso se trabalha de forma activa, de maneira que a comunidade artística nacional se sinta servida.
"Tivemos esta iniciativa em apoiar esta residência e o projecto Estação Experimental, porque entendemos que devemos andar lado a lado com a preservação dos símbolos culturais e os criadores visuais e plásticos".




