Quando o avançado do 1.º de Agosto rubricou 29 golos numa única edição da competição que se veio a chamar Girabola, o país tinha de vida e de soberania cinco anos.
Quarenta e cinco anos depois, Carlos Alves ainda é o melhor marcador de sempre. Estão disputadas 43 edições desde 1980, e não há quem chegue perto. Nem Jesus, Flávio Amado, Love Kabungula, Albert Meyong, Gelson Dala ou Tiago Azulão.
Ou seja, o Girabola conheceu desde lá quarenta e três novos melhores marcadores. Não releva o facto de alguns repetirem. O certo é que só em três ocasiões, três avançados venderam-nos a ilusão de que podiam destronar Carlos Alves.
O primeiro foi Amaral Aleixo. Vestindo a camisola do Sagrada Esperança, fez na edição de 1991 vinte e três golos. Ficou a seis.
No ano seguinte trocou as cores do Sagrada pelas do Petro de Luanda, voltou a ser melhor marcador, mas afastou-se daqueles números. Fez apenas vinte golos, menos nove.
Como que mobilizado pela rivalidade que anima os dois grandes do futebol, mais uma vez um jogador com as cores do Petro de Luanda tentou. Flávio Amado, de seu nome, também não conseguiu. Fez 23 golos.
Na edição seguinte, em 2001, viu-se às arcas para conquistar o título de melhor avançado daquele ano. Fez apenas 16 golos, tantos quanto Lolo, avançado do 1.º de Agosto. Foram necessários critérios de desempate para se atribuir a Flávio Amado a bota de ouro.
Depois de Amaral Aleixo e Flávio Amado terem ficado a seis golos, os adeptos do Girabola tiveram de esperar por dezasseis épocas para verem outro jogador chegar perto. Ou, pelo menos, aos números de Amaral e Flávio.
Veio da “fábrica” do 1.º de Agosto, Gelson Dala. Porém, ficou-se pelos 23 golos, como se estivesse proibido ir além. Dito de outro modo: 23 golos tornou-se a marca dos avançados mais ambiciosos que o Girabola conheceu depois de Carlos Alves.
Assim, só em três ocasiões, em quarenta e cinco edições, é que alguém se aproximou dos 29 golos. Nem mesmo Jesus, tido por muitos, ou por quase todos, como um dos melhores da história do futebol nacional e do Girabola, chegou perto.
Em três edições em que conquistou a bota de ouro, 1982, 84 e 85, ficou sempre distante dos números de Carlos Alves. Na primeira vez fez 21, a seguir 22 e por fim 19.
Tiago Azulão, avançado brasileiro que vestiu as cores do Petro de Luanda, foi cinco vezes melhor marcador do Girabola. É o único jogador com este feito. No entanto, os seus números são “pobres” ao lado dos 29.




