Angola continua excessivamente dependente do petróleo e vulnerável a choques externos, diz UNITA

"O país possui recursos naturais abundantes, uma localização estratégica e uma população jovem. Ainda assim, permanece vulnerável, pouco diversificado, sob forte compressão fiscal, com fraca profundidade financeira e excessivamente dependente de uma única fonte de divisas: o petróleo, declarou o líder do principal partido da oposição, durante uma conferência de imprensa realizada na quinta-feira, 18.
Adalberto Costa Júnior também alertou que mais de três quartos da actividade económica permanecem directa ou indirectamente ligados ao sector petrolífero, tornando Angola vulnerável às oscilações dos mercados internacionais.
"Os sucessivos programas de estabilização e diversificação económica anunciados pelo Executivo não produziram em termos de crescimento sustentável, criação de emprego e redução da vulnerabilidade económica do país", frisou.
Acrescentou, ainda, que os principais desafios do país são de natureza estrutural e estão relacionados com a qualidade das instituições, os incentivos económicos existentes e a forma como o poder político e económico está organizado.
Segundo dados apresentados pela UNITA, o petróleo continua a representar pelo menos 20% do Produto Interno Bruto (PIB), 60% das receitas fiscais e aproximadamente 95% das exportações nacionais.
Esta realidade mantém Angola vulnerável às oscilações dos preços internacionais do crude e limita a capacidade de construir uma economia mais diversificada e resiliente, reforçou.
"Angola continua excessivamente dependente do petróleo, da dívida pública e da forte da concentração de recurso nas mãos do Estado, factores que têm dificultado a transformação estrutural da economia nacional", afirmou.
O desemprego jovem, superior a 50%, foi igualmente apontado como um dos desafios económicos e sociais mais fracturantes do país, reflectindo a incapacidade da economia de gerar emprego formal e produtivo.


