O aumento de competições, a expansão das associações provinciais e a crescente participação em provas internacionais dão novo impulso ao ciclismo nacional, revelou o vice-presidente da Federação Angolana da modalidade (FACI), Osvaldo Manuel.
Nesta fase, a FACI prepara a quinta edição da Volta a Angola, a decorrer de 7 a 17 de Outubro. A prova, uma das principais competições do calendário nacional, reúne até 180 ciclistas, entre nacionais e estrangeiros.
Segundo o dirigente, até ao momento estão inscritos 162 atletas. A edição deste ano prevê 10 etapas, com passagens pelas províncias do Bié, Huambo, Huíla, Benguela, Cunene, Cuanza-Sul e Uíge, além da fase final em Luanda. Na Huíla, estão previstas duas etapas, com percursos que incluem as zonas da Bia e da Serra da Leba.
“A participação estrangeira contribui para aumentar a visibilidade da competição e proporcionar maior contacto entre os ciclistas nacionais e os de outros países. Na edição anterior, a Volta a Angola contou com representantes de 13 países”, sublinhou.
As inscrições para a edição de 2026 permanecem abertas até 1 de Setembro, de acordo com a organização.
Provas do calendário
Osvaldo Manuel defende que o crescimento da modalidade também se reflecte no aumento das competições internas. A FACI desenvolveu um calendário que inclui taças provinciais, nos principais pólos de desenvolvimento do ciclismo, de Luanda, Benguela, Bengo, Cabinda e Huíla, além da Taça de Angola.
Em 2025, foram realizadas 143 competições internas, contra as 10 registadas antes de 2022. Para a Federação, o aumento do número de eventos permite aos atletas competirem com maior regularidade e às associações provinciais ganharem experiência na organização de provas.
Actualmente, 12 associações integram o organismo que rege o ciclismo, sendo 10 oficiais e duas em processo de formação. A FACI pretende alargar o ciclismo para 18 províncias, por via da criação de novos núcleos e do reforço das estruturas existentes.
“A Federação tem apoiado equipas e associações com material desportivo e administrativo. Desde 2022, distribuímos mais de 40 bicicletas, além de computadores, impressoras e outros equipamentos destinados a melhorar as condições de funcionamento das estruturas provinciais”.
Dificuldades logísticas
Apesar do crescimento do calendário de competições, o ciclismo continua a enfrentar dificuldades relacionadas com os custos de material e com a logística das provas.
Osvaldo Manuel explicou que as bicicletas utilizadas em provas de alto nível são, na sua maioria, importadas do continente europeu e asiático: “os custos podem atingir valores próximos a 15 mil euros. A inexistência de fabricantes nacionais de bicicletas e de alguns componentes contribui para o aumento dos preços”.
Outro constrangimento apontado pela FACI está relacionado com a autorização para a realização de provas em determinadas zonas urbanas. Segundo o dirigente, algumas competições são transferidas ou realizadas em municípios mais afastados, por causa das dificuldades em obter autorização.
“Uma maior articulação com os governos provinciais pode contribuir para ultrapassar parte desses constrangimentos, sobretudo no que diz respeito à definição dos percursos, segurança e circulação rodoviária durante as competições”.
Apoios privados
A falta de financiamento continua entre as principais preocupações da federação angolana de ciclismo (FACI). Embora o organismo disponha de orçamento próprio, Osvaldo Manuel considera necessário aumentar a participação do sector privado no apoio às equipas e na realização de competições.
“Se 20 empresários decidirem patrocinar 20 equipas já estaríamos felizes”, afirmou, defendendo maior envolvimento das empresas no desenvolvimento do ciclismo.
A Federação, segundo o vice-presidente, pretende estabelecer parcerias que permitam aos atletas nacionais realizar estágios no exterior e participar em competições de maior nível: “temos mantido contactos com os organismos internacionais ligados à modalidade, entre os quais a confederação africana e a união internacional de ciclismo”.
Em 2025, os atletas da Jair transportes e do Petro de Luanda realizaram estágios no exterior, com vista a preparação para provas internacionais.
Internacionalização
A FACI pretende aproveitar o aumento das competições internas para melhorar a preparação dos atletas e a presença de Angola em provas internacionais.
Além da criação de estruturas provinciais, onde a modalidade ainda tem pouca expressão, a Federação quer proporcionar mais oportunidades de estágio e competições no exterior, sobretudo aos ciclistas com melhores resultados nos nacionais.
A Volta a Angola, segundo Osvaldo Manuel, surge neste contexto como uma das principais plataformas para a promoção da modalidade e o contacto entre ciclistas nacionais e estrangeiros. “A organização espera manter a participação internacional e aumentar o interesse de empresas no evento”.
O dirigente desportivo defende que o desenvolvimento do ciclismo passa pelo envolvimento das estruturas públicas, associações, clubes e sector privado.
“Precisamos que os governos provinciais dêem apoio real às associações. O desporto deve ser feito onde está a população. É importante a criação de condições para que os jovens tenham acesso à modalidade”, sublinhou.
Com o aumento das provas e a expansão das estruturas provinciais, a FACI prevê consolidar o calendário nacional e criar melhores condições para a formação dos atletas.
“A quinta edição da Volta a Angola, em Outubro, é uma oportunidade para avaliar o nível competitivo alcançado”.



