A organização da 47.ª edição do Campeonato Nacional Sénior Feminino de Andebol decidiu-se pôr entradas livres para o acesso à sala de Jogos do Pavilhão Principal da Cidadela.
A nossa reportagem ouviu alguns adeptos sobre a pertinência ou não de pagarem pelos jogos que lhes são dados a assistir e, para nossa surpresa, surgiram vozes que se levantam a favor da cobrança, quase na mesma proporção das que pensam que não se deve pagar. “Estamos aqui, mesmo que estivessem a cobrar. Aliás, devia ser obrigatório. Temos de cultivar o hábito das pessoas pagarem, porque a organização tem gastos com a manutenção, limpeza, segurança e outros. Acho que é um desperdício que se faz. Noutras modalidades já não se regista isso, até nos jogos do bairro”, defendeu Marcelino Calenge, adepto do 1.º de Agosto. Encontrado ladeado por outros andebolista, Wendell Figueiredo, campeão nacional sénior masculino pelo 1.º de Agosto foi também desafiado a comentar. “Quem valoriza paga”, começou. “O receio que há é de as pessoas deixarem de vir aos campos, se cobrarem, mas acho que estamos a ficar sozinhos nisso de jogos gratuitos. Defendo que seja necessário começar a implementar isso no futuro, para a própria valorização da modalidade, concluiu. Miguel Lopes, outro adepto, acredita ser uma questão de mentalidade, tanto dos organizadores como dos adeptos. “Um dia temos de começar. Não se pode pensar que se houver cobrança não teremos assistência. Esta mentalidade tem de ser alterada. Pode haver uma retracção no início, mas as pessoas acostumam-se”, comentou. Maria de Castro, jogadora júnior, foi peremptória: Não pagaria. Porque isso é desporto, o desporto anima as pessoas e muitos não teriam acesso porque a vida está difícil, ainda bem que não estão a cobrar”. Na mesma linha argumentou Miranda Pedro, também andebolista. “uma vez que o andebol não é muito visível entre nós, se cobrassem, muitos não viriam. Como atleta gostaria de saber que as pessoas que estão na assistência pagaram para ver quando estou na quadra, mas me parece que não é para já a nossa realidade”. Além dos custos com arbitragem, a Federação Angolana de Andebol (FAAND) paga valores acima de 600.000 Kz por dia, pelo aluguer do Pavilhão.




