FIFA "pressiona" federações com 40 milhões USD e prazo para aprovar "privatização" da exploração comercial do Mundial

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) pretende criar uma nova subsidiária para centralizar a gestão comercial do Campeonato do Mundo, a FIFA Forward Enterprise, que contará com investidores privados.
Caso aprovada, a medida poderá beneficiar as federações, incluindo a angolana, que passará a receber mais de 20 milhões de USD por ciclo, em vez dos oito milhões actuais, no período de 2027-2030. O plano prevê igualmente a expansão do financiamento em 10 mil milhões de USD.
Segundo a BBC Sports, o dinheiro dos 40 milhões virá da "venda de uma parte minoritária" da participação da FIFA na FIFA Forward Enterprise.
Estes dados foram comunicados pela FIFA no site do organismo, na terça-feira 28 de Julho.
A proposta já suscitou críticas de três das seis confederações.
A UEFA (Europa) afirmou que "nenhum de nós é dono do futebol" e acusou a FIFA de mercantilismo.
A CONCACAF (América Central e do Norte) manifestou "profunda preocupação com a falta de devido processo".
A AFC (Ásia) mostrou-se desapontada por não ter sido consultada e por o assunto ter chegado ao domínio público antes que a família da AFC tivesse a oportunidade de analisar e discutir o tema.
A CAF (África), CONMEBOL (América do Sul) e OFC (Oceânia) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o plano.
O antigo presidente da FIFA, entre 1998 e 2015, Sepp Blatter, escreveu na rede social X que "ninguém tem direito de vender o nosso jogo" e criticou a relação de Gianni Infantino com o chefe de Estado dos EUA, Donald Trump, sublinhando que "atingiu uma dimensão financeira que está a prejudicar profundamente o futebol".
Ao mesmo tempo, reacções de preocupação e descontentamento acumulam-se em diferentes pontos da Europa, com dirigentes em Espanha, Alemanha, Inglaterra e até o comissário europeu dos Desportos, Glenn Micallef, a assinalar: "não toquem no nosso desporto".


