FIFA vende pedaços do relvado de MetLife

Em véspera da final do Campeonato do Mundo de Futebol, ontem, entre as selecções da Argentina e da Espanha, eclodiu uma polémica em torno do Estádio MetLife. A FIFA iniciou a venda de pequenas porções do relvado no site oficial, iniciativa que gerou uma forte contestação por parte do Estado de Nova Jérsia, financiador da instalação do tapete verde.
Segundo o New York Times, citado pela A BOLA, o organismo que rege o futebol a nível mundial colocou à venda pedaços do relvado, encapsulados em resina, por 450 dólares cada, cerca de 393 euros. A nota na página de venda informa que os artigos de colecção seriam enviados após a partida da final. A produção está a cargo da empresa britânica Keep Stub, e disponibiliza outras três versões com preços de 900, 1200 e 3000 dólares (786, 1048 e 2622 euros, respectivamente). Com cada uma das quatro versões limitada, a receita total pode chegar aos 10 milhões de euros. O governo daquele estado norte-americano recebeu mal a notícia, pois os contribuintes financiaram a obra. Documentos citados pelo North Jersey revelam que a empresa New Jersey Sports e a Exposition Authority (NJSEA) investiu 13,04 milhões de dólares para que o relvado cumprisse as normas da FIFA, cobriu custos de projecto, construção e manutenção. A NJSEA é uma entidade pública que gere o complexo desportivo, onde se localiza o Estádio MetLife. Steve Sigmund, porta-voz da governadora Mikie Sherrill, foi claro nas declarações ao The Athletic: “Nova Jérsia pagou vários milhões de dólares pelo custo total do campo de jogo do Estádio de MetLife. Os contribuintes do Estado devem beneficiar de qualquer receita”. Contestação une políticosA contestação à FIFA uniu vários políticos. Os republicanos da Assembleia de Nova Jérsia alinharam-se ao discurso da governadora democrata. “A FIFA tem de sair do nosso território, literalmente”, afirmou o deputado Mike Inganamort, acrescentando: “Os contribuintes financiaram 13 milhões de dólares em obras de modernização no Estádio MetLife, incluindo a substituição do relvado artificial por relva natural. Trata-se de uma propriedade estatal. A FIFA não pode simplesmente vender o campo de futebol sem autorização”. Em resposta, fontes próximas da FIFA e do Comité Organizador local explicaram que a responsabilidade da Federação Internacional é limitada. A maior parte das receitas da venda de uma pequena porção do relvado reverte para a organização, sendo reinvestida na região. Um porta-voz da FIFA clarificou ao New York Times: “A iniciativa de venda do relvado é liderada pela cidade anfitriã, não é uma fonte de receita para a FIFA, como foi erradamente noticiado. A FIFA recebe uma quantia simbólica, menos de 5 por cento, pelo uso da sua propriedade intelectual, mas a maior parte das receitas geradas por este programa vai para o Comité Organizador da Cidade de Nova Iorque/Nova Jérsia”. O mesmo porta-voz garantiu que serão utilizados apenas cerca de cinco metros quadrados de relva e classificou como “categoricamente falsas” as alegações de que a FIFA geraria quase 10 milhões de euros com a venda.



