O mundo testemunha hoje, a partir das 22h00, no Estádio Hard Rock, em Miami, Estados Unidos da América, a réplica da “Guerra dos Cem Anos”, quando a França e a Inglaterra descerem à relva pela disputa do último lugar do pódio do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026.
Sem os arcos potentes do século XV e as terras como motivos, gauleses e Três Leões selam as mãos antes do pódio por um único propósito: fazer companhia a Espanha e a Argentina no lugar mais cobiçado pelas 48 nações inscritas. É o mais sagrado motivo das duas antigas nações rivais relembrarem a agressividade no campo de batalha. Longe do passado, hoje, os canhões franceses perseguem mais um capítulo na história mundial. A vitória de 1453, alcançada pelo general Jean Bureau, rejuvenesceu na mente de uma geração capitaneada por Kylian Mbappé e orientada por Didier Deschamps. Se o mestre de artilharia do Rei Carlos VII soube impor ordem aos descendentes de nobres franceses, os vice-campeões mundiais têm os mesmos motivos para reivindicar o direito de soberania sobre os ingleses, após mais de mil anos de desavenças. A campanha interrompida pela Espanha nas meias-finais “foi um acidente de percurso”. Outro motivo que anima os gauleses é a despedida de Didier Deschamps. O seleccionador assumiu o comando em 2012 e carrega as conquistas do título de 2018 na Rússia e o de vice-campeão de 2022 no Qatar. A medalha de bronze nas Américas fica bem na fotografia de um campeão mundial, quer como atleta (1998) e treinador (2018). No outro lado da quadra, está um contingente magoado. Desde 1966, os Três Leões rugem apenas para as abelhas e os mosquitos. A força de outros tempos desapareceu para sempre. Harry Kane e pares reconhecem o poder do ataque francês. A mudança de mentalidade é o único valor disponível para travar a fúria dos descendentes de Charles de Gaulle. Chegar ao pódio constitui um desejo antigo. Depois de 1966, ano da primeira e única conquista em casa, os ingleses estiveram sempre no quase. A mais recente aconteceu na Rússia, em 2018, quando terminaram em quarto lugar, depois de perder com a Bélgica, por 0-2, golos de Thomas Meunier e Eden Hazard. Antes, terminaram em quarto posto na Itália'1990. O grito desanimador do seleccionador Thomas Tuchel, após o jogo com a Argentina nas meias-finais, reflecte o ambiente no balneário. A denúncia de que a culpa da derrota estava no "DNA do futebol inglês" pode abrir portas para uma esfera desoladora. O mundo preparou-se para ver as exibições de Kylian Mbappé e de Harry Kane. Se no jogo anterior, o francês e o inglês foram ofuscados pelos defesas, hoje, há mais liberdade para brilhar. Afinal, é a despedida da competição. A maldição Mbappé tem o mesmo ADN da maldição Kane? Kylian Mbappé trava luta pela Bota de Ouro O Kylian Mbappé partilha a artilharia da competição mundial com Lionel Messi. O capitão francês marcou oito golos, o mesmo número do La Pulga, mas perde nas assistências. O gaulês tem três contra quatro do argentino. A última oportunidade para Mbappé se desfazer da perseguição acontece hoje. Detrás dos capitães, estão os ingleses Jude Bellingham e Harry Kane, ambos ingleses, ainda em acção. As duas setas dos Três Leões têm seis golos cada um e gostam de bizar nos jogos. A acontecer constitui “perigo” às ambições do francês e do argentino. Kylian Mbappé trava hoje duelos directos com os principais rivais à Bota de Ouro de 2026. O acesso constante à bola na área ou próxima dela constitui na única estratégia para alcançar o êxito. Até ao cair do pano, a luta atiça as ambições.




