A designação Girabola, marca do Campeonato Nacional da I Divisão, é de autoria do jornalista Rui de Carvalho. A denominação foi atribuída ao então Campeonato Provincial de Angola, em 1972.
Ao que consta, a iniciativa do ex-director da Rádio Nacional de Angola (RNA) tinha como propósito diferenciar-se das restantes competições regionais ultramarinas, bem como ser uma forma subtil de protesto anti-colonial.
Sete anos mais tarde, a designação é associada à maior prova futebolística do país, cujo pontapé de saída ocorreu em 1979.
Volvidos 47 anos, a expressão simboliza a festa das multidões em Angola e disputa-se anualmente durante nove meses.
Recentemente, com a criação da Associação Nacional dos Clubes de Futebol (ANCAF) e o surgimento da Liga Profissional de Futebol, admitiu-se a possibilidade do fim da designação Girabola do Campeonato Nacional da I Divisão.
No entanto, várias vozes se mostraram contrárias, dentre elas jornalistas, dirigentes, antigos futebolistas e treinadores.
Fruto da pressão e não só, em Setembro de 2025, o presidente da ANCAF, João Lusevikueno, veio a terreiro e garantiu que o termo Girabola iria permanecer na principal prova de clubes intramuros.
“Estamos a conversar com a empresa que vai dar o nome. Poderá ser primeiro o nome da empresa e depois o Girabola”, disse na ocasião.
A 26 de Janeiro do ano em curso, a ANCAF e a Unitel rubricaram uma parceria, em que a prova passou a denominar-se oficialmente Liga Unitel Girabola.
Percurso
Quando o Presidente António Agostinho Neto proclamou a Independência de Angola “perante a África e o Mundo”, a 11 de Novembro de 1975, boa parte das infra-estruturas estava em estado deplorável, incluindo as desportivas, por força do conflito armado que o país atravessava.
Aliás, meses antes do içar da nova bandeira e do entoar do hino “Angola Avante”, muitas competições já haviam sido paralisadas e com a modalidade de futebol não era diferente.
Naquele ano, o Campeonato de Angola de futebol foi interrompido, numa altura em que os Dínizes de Salazar e o Recreativo da Caála lideravam a prova “ex-aequo”.
Entre 1975 e 1978, o “deserto” de competições oficiais resulta da inexistência de uma federação e de uma comissão instaladora, que só surgiriam em 1979, num trabalho aturado do Conselho Superior de Educação Física e Desportos (CSEFD).
De tal sorte, as primeiras selecções nacionais de futebol foram convocadas sem provas de cariz federativo, como foram os casos de 1976, a primeira apresentação do combinado nacional em Brazzaville, e depois em 1977, nas célebres “Jornadas Angola-Cuba”.
Nesse período, os torneios eram de iniciativa dos clubes e de várias instituições, disputados em datas comemorativas, sobretudo de carácter político, essencialmente a JMPLA, braço juvenil do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), um dos impulsionadores nessa fase.
Torneio experimental
A 13 de Novembro de 1976, arrancava na capital do país, o Torneio “Experimental”, organizado pela Comissão Provincial de Futebol, cujo número de inscrições atingiu o recorde de 114 equipas repartidas por 19 grupos, num total de 2000 atletas.
O evento, que paralisava literalmente a capital do país, devido à “fome” do desporto-rei, começou a ser disputado, mas viu-se interrompido devido à crise política, que culminou com os episódios de 27 de Maio.
No rol de participantes, a destacar as equipas do Oficinas Navais, Sporting de Luanda, Estradas FC, Atu Zemba, 26 de Julho, CPPA, a Secil, Instituto do Café, Diário de Luanda, Escola Gika, Padre Lino Guimarães, Juventude do Prenda, Hotel Trópico, Bela Vista, Benfica de Luanda, Progresso do Sambizanga, União do Cazenga, Las Palmas, Bangú, Rádio Nacional, entre outros.




