Mundial 2026: dos Vikings aos Anglo-Saxões — um duelo secular antes das meias-finais

Nos Estados Unidos, os adeptos da Noruega e a própria selecção vivem uma caminhada histórica acompanhada pelo movimento que se tornou uma das imagens mais reconhecíveis da equipa: braços que avançam e recuam como remos invisíveis, uma multidão que parece empurrar os "Vikings" pelas águas de uma competição cada vez mais exigente, ao ritmo do grito "Ro! Ro!".
Este sábado, a memória recua ao período que vai dos séculos VIII ao XI, quando os escandinavos atravessaram o Mar do Norte e estabeleceram uma presença duradoura nas ilhas britânicas. As suas expedições combinaram comércio, exploração, migração e campanhas militares, transformando o equilíbrio político da Inglaterra anglo-saxónica, então dividida em vários reinos, entre os quais Wessex, Mércia, Nortúmbria e Ânglia Oriental.
Os confrontos entre noruegueses e anglo-saxões registaram vitórias de ambos os lados. Em 1066, Haroldo Hardrada, rei da Noruega, conduziu os seus homens à vitória em Fulford, no norte de Inglaterra. Poucos dias depois, em Stamford Bridge, as forças de Haroldo Godwinson travaram a campanha de Hardrada e transformaram aquela batalha num dos momentos decisivos do período anglo-saxónico.
Percurso das equipas:
Os "Leões" alcançaram esta fase depois de terminarem em segundo lugar no Grupo I, com seis pontos, oito golos marcados e sete sofridos. Golearam o Iraque por 4-1, superaram o Senegal por 3-2 e foram derrotados pela França por 4-1, num duelo em que pouparam Erling Haaland. Nos dezasseis-avos de final e nos oitavos de final, eliminaram a Costa do Marfim e o Brasil, ambos por 2-1.
Quanto aos "Três Leões", lideraram o Grupo L com sete pontos, seis golos marcados e dois consentidos. A formação britânica bateu a Croácia por 4-2, registou um empate sem golos com o Gana e venceu o Panamá por 2-0. Na fase a eliminar, afastou a República Democrática do Congo (RDC) por 2-1 e o México por 3-2.
Chaves para a vitória:
À semelhança do que tem acontecido noutras partidas, Ørjan Nyland e Jordan Pickford poderão ter um papel determinante no destino das suas selecções.
De um lado, a Noruega apresenta um bloco compacto, tanto no momento defensivo como na construção ofensiva, com organização, qualidade técnica e uma disponibilidade física assinalável.
Martin Ødegaard, Patrick Berg e Antonio Nusa assumem a responsabilidade pela criatividade da equipa, enquanto, do lado inglês, Jude Bellingham, Anthony Gordon e Bukayo Saka representam ameaças constantes junto da baliza adversária.
Factor-X:
A grande questão passa por perceber quem poderá ser mais decisivo: Erling Haaland ou Harry Kane?



