Mundial 2026: Japão e Países Baixos, duas formas de modernização do futebol

Desde 2002, quando o Japão co-organizou o Campeonato do Mundo, a selecção nipónica tornou-se presença regular na competição. A partir daí, consolidou-se como equipa de fases a eliminar, atingindo os oitavos-de-final em 2002, 2010, 2018 e 2022.
Essa evolução resulta de um processo estrutural consistente, assente na formação, na profissionalização interna e na crescente exportação de jogadores para as principais ligas europeias. Nomes como Shunsuke Nakamura, Shinji Kagawa, Kaoru Mitoma ou Ritsu Dōan simbolizam essa integração progressiva no futebol europeu.
Mais do que talento individual, o Japão afirma-se pela disciplina colectiva, organização táctica e uma identidade de esforço contínuo reflectida dentro de campo.
Por sua vez, os Países Baixos apresentam um percurso mais irregular, com picos de rendimento muito elevados. Após falharem o Mundial de 2002, regressaram em 2006 e chegaram à final em 2010, onde perderam frente à Espanha. Em 2014 terminaram em terceiro lugar, em 2018 falharam a qualificação e em 2022 regressaram aos quartos-de-final, sendo eliminados pela Argentina.
A "Laranja Mecânica" mantém uma identidade fortemente associada à escola de Rinus Michels, marcada pela organização táctica, pressão alta e valorização do colectivo. Jogadores como Frenkie de Jong, Denzel Dumfries e Memphis Depay alinham-se com essa tradição, agora adaptada ao futebol moderno.
Apesar das diferenças de percurso e identidade, Japão e Países Baixos apostam em duas formas distintas de modernização da modalidade. Uma assente na construção gradual de consistência competitiva e outra marcada por ciclos mais irregulares, mas com elevada capacidade de impacto em fases decisivas.
Ambos, ainda que por vias diferentes, traduzem uma realidade central do futebol contemporâneo: a crescente interligação entre formação, organização e competitividade a nível global.


