
Nas gastronomias congolesa e portuguesa destacam-se peixes salgados e secos com uma forte identidade cultural. O bacalhau é um dos maiores símbolos da culinária lusa, enquanto na República Democrática do Congo (RDC) o makayabu ocupa um lugar de destaque na tradição alimentar, sendo uma das formas mais populares de consumo de peixe seco.
Embora sejam frequentemente comparados, a forma de servir, preparar e as espécies mais utilizadas podem ser diferentes.
Segundo o site "Bacalhau Northern Fish", makayabu, tradicional na cozinha da RDC, é frequentemente associado ao saithe (Pollachius virens), um peixe salgado e seco que apresenta características próprias, incluindo uma coloração mais escura e uma preparação geralmente diferente da utilizada na gastronomia portuguesa.
Já o bacalhau (Gadus morhua), um dos maiores símbolos da gastronomia lusa, é proveniente das águas frias do Atlântico Norte e destaca-se pela textura, pelo processo de cura prolongada e pelas diferentes formas de corte e preparação que influenciam o seu valor comercial.
Do lado português, a selecção das Quinas chega ao torneio com o peso da tradição e o objectivo de ir longe na competição. A melhor prestação de Portugal num Campeonato do Mundo remonta aos tempos de Eusébio e dos Magriços, em 1966, quando terminou no terceiro lugar em Inglaterra.
Depois disso, o mais próximo que Portugal conseguiu dessa marca foi o quarto posto na Alemanha, em 2006, já com um jovem Cristiano Ronaldo na equipa. Esse torneio ficou também marcado pela estreia e única participação de Angola num Campeonato do Mundo.
Esta geração lusa chega ao Mundial com futebolistas que actuam em grandes clubes europeus, como Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, João Félix, Pedro Neto, Diogo Costa, Vitinha e João Neves, numa equipa que procura transformar o talento individual numa campanha de destaque.
A RDC, por outro lado, procura afirmar-se no palco internacional e mostrar a força de uma escola africana com talento, intensidade e ambição. A selecção congolesa conta com jogadores como Theo Bongonda, Gaël Kakuta, Meshack Elia, Yoane Wissa, Fiston Mayele, Simon Banza e Chancel Mbemba, sob orientação de Sébastien Desabre, técnico que tem desenvolvido um trabalho de continuidade e consistência.
Em Houston, o duelo deixa a travessa e passa para o relvado: entre o makayabu e o bacalhau, Portugal e RDC procuram ver quem no fim vai saborear a vitória.


