
Percurso das equipas
A Espanha chega aos quartos-de-final como a única selecção sem sofrer golos. A posse deixou de ser apenas uma questão estética; transformou-se numa ferramenta de controlo, numa forma de obrigar os adversários a jogar ao ritmo da "La Roja". Essa identidade valeu-lhe a liderança do grupo H, com sete pontos, cinco golos marcados e uma caminhada construída com disciplina, rigor tático e eficiência.
Na fase de grupos, a formação às ordens de Luis de La Fuente empatou sem golos com Cabo Verde, goleou a Arábia Saudita por 4-0 e venceu o Uruguai por 1-0. Nos dezasseis-avos-de-final superou a Áustria por 3-0 e, nos oitavos, afastou Portugal com um triunfo por 1-0.
Mais do que ter a bola, a equipa procura controlar o espaço. Defende com e sem ela, circula com paciência, joga entre linhas, explora as alas e acelera quando identifica o momento certo. É uma selecção que transformou o jogo numa forma de expressão. Mas os Mundiais não são museus: não basta ter uma bela pintura; é preciso saber terminá-la.
A Bélgica percorreu um caminho diferente. Mais irregular e por vezes perdulária na fase de grupos, a formação dos "Diabos Vermelhos" acabou, ainda assim, por garantir o primeiro lugar do grupo G, com cinco pontos, seis golos marcados e dois sofridos.
A campanha começou com um empate frente ao Egipto (1-1), seguiu-se um nulo com o Irão e terminou com uma goleada sobre a Nova Zelândia (5-1). Na fase a eliminar, os "Diabos Vermelhos" revelaram outra capacidade de resposta: venceram o Senegal por 3-2 nos dezasseis-avos-de-final e confirmaram a passagem aos quartos com uma goleada por 4-1 diante dos Estados Unidos.
Chaves para a vitória
A pintura de logo à noite será cuidadosamente desenhada.
Os belgas aprenderam a adaptar-se nos momentos de maior exigência. Frente a uma adversária que privilegia a ordem e o controlo, os herdeiros de Rubens precisam de demonstrar que o talento individual também sabe a arte colectiva.
Para isso, não basta uma grande exibição de Thibaut Courtois na baliza. Os comandados de Rudi Garcia necessitam de maior capacidade para disputar a posse no meio-campo e, sobretudo, de conseguir obrigar a Espanha a correr atrás da bola - uma realidade pouco conhecida pela "La Roja" neste Mundial.
Jogadores como Romelu Lukaku, Charles De Ketelaere, Leandro Trossard e Youri Tielemans terão a responsabilidade de acrescentar desequilíbrio, criatividade e experiência ao relvado.
Do outro lado, o conjunto ibérico volta a depositar esperança em Lamine Yamal. O jovem extremo procura um jogo de afirmação neste Mundial e, se o encontrar, poderá oferecer uma nova dimensão ofensiva à sua selecção. Ao seu lado, nomes como Mike Oyarzabal, Álex Baena, Pedri e Rodri serão fundamentais para manter a máquina oleada e em movimento.
Factor-X
Para a "La Roja", a chave passa por desbloquear cedo o caminho do golo e obrigar a Bélgica a abandonar a sua zona de conforto. Nesse cenário, Pedri terá um papel fundamental: a capacidade de encontrar espaços entre linhas poderá ser a chave para abrir brechas numa organização defensiva belga.
Para os "Diabos Vermelhos", a receita será resistir, frustrar e guardar o golpe para o momento em que a tela parecer pronta para ser assinada. Nesse processo, Leandro Trossard, é o jogador capaz de rematar de média distância ou ter um rasgo de genialidade.
Se Thibaut Courtois e Unai Simón estiverem à altura, este poderá ser um daqueles jogos em que o detalhe decide tudo e em que o duelo pode caminhar para a margem mínima ou até para a marca dos onze metros.


