Mundial 2026: Uma selecção africana nos oitavos e três com destinos por definir

Cabo Verde x Argentina
Antes do duelo entre a campeã do mundo e os "Tubarões Azuis", o seleccionador argentino, Lionel Scaloni, elogiou os pupilos de Pedro Bubista e expressou cautela antes do jogo dos dezasseis avos-de-final, no qual muitos atribuem poucas hipóteses de sucesso à selecção cabo-verdiana.
"Cabo Verde é uma equipa que não perdeu e que, inclusive contra a Arábia Saudita, merecia ganhar. Defende bem, fecha bem os passes interiores e depois sai muito bem em contra-ataque. Tem jogadores com boa técnica. É uma boa equipa, já a vínhamos a analisar, porque era um possível adversário. No final, passaram eles e não nos surpreende. Não estão aqui por acaso", destacou, citado pelo Jornal A Bola.
Percurso das equipas:
A "Albiceleste" fez três jogos tranquilos que lhe valeram a liderança do grupo J, frente à Argélia (3-0), Áustria (2-0) e Jordânia (3-1). Até ao momento, não teve grandes dificuldades para desbloquear os resultados, somando oito golos marcados e apenas um sofrido, além de nove pontos.
Por sua vez, a formação insular conseguiu um inédito lugar nos dezasseis avos-de-final, qualificando-se para a fase a eliminar com três empates: um nulo frente à Arábia Saudita e dois empates (0-0 e 2-2) diante de antigos campeões do mundo (Espanha e Uruguai).
Chaves para a vitória:
A Argentina parte com favoritismo para o embate, mas os "Filhos de Cabral" já demonstraram, frente a um dos candidatos ao título (Espanha), que são capazes de resistir perante qualquer adversário. O facto de não terem nada a perder coloca a pressão do lado da turma do País das Pampas que pretende evitar o que seria a maior façanha da história do futebol dos "Tubarões Azuis".
A organização posicional e a solidariedade colectiva serão determinantes no comportamento das duas selecções. Embora os sul-americanos tenham Lionel Messi como principal referência, contam também com múltiplas soluções, como Emiliano Martínez na baliza, Lautaro Martínez e Julián Álvarez no ataque, bem como Enzo Fernández e Alexis Mac Allister no meio-campo.
Já Cabo Verde terá de depender de Vozinha na baliza para transmitir segurança e realizar uma exibição de elevado nível. Também precisará que a linha defensiva, composta por Diney Borges e Roberto Lopes, mantenha a consistência demonstrada ao longo do torneio, enquanto Kévin Pina será fundamental para travar a construção ofensiva da selecção sul-americana.
No banco, Pedro Bubista dispõe igualmente de Hélder Varela, Telmo Arcanjo, Dailon Livramento e Deroy Duarte para tentar mudar o rumo do encontro.
Será uma partida dura e intensa, em que o favoritismo é argentino, mas Cabo Verde pode ter uma palavra a dizer.
Factor X:
Rodrigo De Paul, quando está em campo, permite que Lionel Messi tenha maior liberdade e entende-se quase de olhos fechados com o capitão argentino.
Ryan Mendes tem sido alvo de comentários nos últimos dias devido a uma acusação fora das quatro linhas. Ainda assim, o capitão de Cabo Verde não pode deixar que isso afecte o seu desempenho, sendo uma das principais referências do conjunto do arquipélago.
Egipto x Austrália
Percurso das equipas:
Os "Faraós" carimbaram, pela primeira vez, a passagem aos dezasseis avos-de-final, na quarta participação em Mundiais, depois de uma campanha sólida e invicta na fase de grupos. Empataram com a Bélgica (1-1), venceram a Nova Zelândia (3-1) e dividiram pontos diante do Irão (1-1), terminando na segunda posição do grupo G, apenas atrás dos belgas pela diferença de golos.
Mohamed Salah continua a ser a principal referência da equipa, mas nomes como Omar Marmoush e Emam Ashour também têm assumido protagonismo ofensivo.
A Austrália, por sua vez, garantiu o apuramento na última jornada de um competitivo grupo D. Depois da derrota frente aos Estados Unidos (0-2), os "Socceroos" empataram sem golos com o Paraguai e fecharam a fase de grupos com um triunfo por 2-0 sobre a Turquia, resultado que lhes valeu o segundo lugar e a terceira presença da sua história na fase a eliminar de um Mundial.
Chaves para a vitória:
O Egipto parte com um ligeiro favoritismo, sobretudo pela maior qualidade técnica e criatividade no último terço. A possível utilização de Mohamed Salah continua a dominar as atenções, embora a equipa tenha demonstrado, durante a fase de grupos, que dispõe de argumentos para criar perigo mesmo sem depender exclusivamente do capitão. Omar Marmoush atravessa um bom momento de forma e poderá assumir maior protagonismo caso Salah não esteja a cem por cento.
Já a Austrália aposta na organização colectiva, na intensidade física e na disciplina táctica implementada por Tony Popovic. Mathew Ryan continua a ser essencial entre os postes, Harry Souttar lidera a defesa e Connor Metcalfe acrescenta qualidade na ligação entre o meio-campo e o ataque.
Será um duelo em que o controlo do meio-campo poderá fazer a diferença. Se o Egipto conseguir impor o seu futebol apoiado e explorar os espaços entre linhas, ficará mais perto da qualificação. Caso contrário, a Austrália procurará transformar o jogo numa batalha física e explorar as transições.
Factor X:
Emam Ashour é um médio que imprime intensidade, mobilidade e capacidade de chegada à área, tornando-se uma das peças mais influentes dos "Faraós".
Do lado australiano, Nestory Irankunda tem sido uma das grandes revelações da equipa. É um futebolista irreverente, veloz e capaz de atacar os espaços, pressionar as defesas, recuperar bolas e criar desequilíbrios, podendo fazer a diferença num encontro que se antecipa equilibrado.
Gana x Colômbia
Percurso das equipas:
O Gana garantiu o apuramento como um dos melhores terceiros classificados, depois de uma campanha muito competitiva no grupo L, com quatro pontos, dois golos marcados e dois sofridos.
As "Estrelas Negras" empataram sem golos com a Inglaterra, venceram o Panamá por 1-0, graças a um golo nos descontos, e fecharam a fase de grupos com um desaire tangencial diante da Croácia (1-2), resultado que, ainda assim, lhes permitiu seguir para a fase a eliminar.
A equipa orientada por Carlos Queiroz voltou a demonstrar solidez defensiva e capacidade para marcar em momentos decisivos.
Quanto à Colômbia chega aos dezasseis avos-de-final depois de terminar invicta no grupo K, à frente de Portugal, com sete pontos, seis golos marcados e apenas um sofrido.
A formação de Néstor Lorenzo confirmou o bom momento que atravessa, aliando consistência defensiva a um futebol ofensivo e dinâmico, factores que a colocam entre as selecções mais consistentes desta fase da competição.
Chaves para a vitória:
Os "Los Cafeteros" apresentam uma equipa cuja identidade assenta na criatividade de James Rodríguez, na velocidade de Luis Díaz e na dinâmica que Jhon Arias imprime à ligação entre o meio-campo e o ataque. A capacidade para controlar a posse de bola e acelerar o jogo pelos corredores poderá revelar-se decisiva.
Já o Gana procurará equilibrar a partida através da intensidade física, da organização colectiva e da capacidade de explorar as transições. Thomas Partey será fundamental no equilíbrio do meio-campo, enquanto Antoine Semenyo procurará explorar os espaços deixados pela defesa colombiana. Caleb Yirenkyi poderá ser determinante na ligação entre sectores e na rapidez com que a equipa transforma os momentos defensivos em ofensivos.
Espera-se um duelo muito disputado, em que a eficácia nas duas áreas poderá decidir o vencedor. A experiência da Colômbia contrasta com a capacidade competitiva dos ganeses, que voltam a sonhar com uma campanha semelhante à histórica prestação de 2010.
Factor X:
Jhon Arias é um jogador capaz de acelerar o jogo ofensivo da Colômbia. A velocidade, o drible curto e a capacidade para servir os colegas, permitindo que James Rodríguez tenha maior liberdade para organizar o ataque, fazem dele uma peça fundamental na estratégia de Néstor Lorenzo.
Thomas Partey continua a ser o verdadeiro motor do Gana. A sua capacidade para recuperar bolas, organizar a construção e equilibrar a equipa poderá ser determinante para manter as "Estrelas Negras" na luta pelo apuramento.
Bónus: Marrocos enaltece África no Mundial pela segunda edição consecutiva
Depois de ter alcançado o melhor resultado de sempre de uma selecção africana no Campeonato do Mundo (4.º lugar no Qatar), o Reino de Marrocos voltou a servir de exemplo da força do futebol africano nesta edição, ao garantir presença nos oitavos-de-final após uma fase de grupos de elevado nível, na qual somou sete pontos, fruto de um empate (1-1) frente ao Brasil e vitórias diante da Escócia (1-0) e do Haiti (4-2).
Seguiram-se os Países Baixos, que também chegaram à fase a eliminar, depois de terminarem em primeiro lugar no seu grupo, com sete pontos, dez golos marcados e quatro sofridos.
Os "Leões do Atlas" levaram o encontro ao prolongamento após o empate no tempo regulamentar (1-1), confirmando a eliminação de uma das selecções em maior destaque na prova. O desempenho marroquino pode servir de inspiração para Egipto, Gana e Cabo Verde, que se querem qualificar para os oitavos-de-final esta sexta-feira, na última ronda dos dezasseis avos-de-final.



