Pirataria mina receitas e põe em causa o futuro do desporto em directo

O jogo já começou, com as emissoras desportivas e os serviços de streaming mundiais a disputarem os direitos de transmissão de eventos desportivos em directo, ao mesmo tempo que tentam combater a pirataria de streaming desportivo, que se tornou a maior ameaça ao futuro dos maiores eventos desportivos de impacto global.
Durante as temporadas desportivas nas diferentes regiões do mundo, os fãs ligam a televisão e os seus dispositivos digitais, e desfrutam de toda a acção proporcionada pelos desportos ao vivo. No entanto, o que eles não sabem é que, nos bastidores, está a decorrer uma competição de outro tipo: uma disputa acirrada para garantir as licenças de transmissão mais cobiçadas.
Milhões em licenças de transmissão
A cobertura desportiva ao vivo atrai das maiores audiências televisivas do mundo, mas tem um custo elevado para os operadores. Na verdade, a cobertura desportiva ao vivo dos maiores jogos, torneios e competições do planeta é dos investimentos mais elevados no mercado audiovisual global.
Emissoras desportivas como a SuperSport (uma afiliada da MultiChoice Angola) e serviços de streaming desportivo investem milhões de dólares na aquisição de direitos de transmissão, para levar a cobertura desportiva ao vivo para toda a África. Essas taxas milionárias são uma importante fonte de financiamento para as ligas e associações desportivas, que utilizam esses rendimentos para apoiar as competições e os intervenientes dessas competições.
Por outras palavras, sempre que a SuperSport adquire os direitos de transmissão de um jogo de futebol ao vivo, todas as equipas envolvidas são beneficiadas financeiramente, o que lhes permite que continuem a jogar e a honrar os seus compromissos com os atletas, treinadores e respectivas famílias. Sem as emissoras globais a investir em taxas de licença plurianuais, muitos clubes desportivos teriam dificuldade em cobrir os seus custos operacionais.
Isto é especialmente verdadeiro em África, onde os clubes enfrentam barreiras para garantir patrocínios e novos apoios financeiros.
As taxas de assinatura pagam a tua emoção
Em Angola, os adeptos de futebol perderiam os jogos do CAN TotalEnergies CAF, TotalEnergies Liga dos Campeões da CAF, Primeira Liga Inglesa, Liga dos Campeões da UEFA e LaLiga, cujos direitos são garantidos pela SuperSport.
A SuperSport é líder global e pioneira africana na transmissão de eventos desportivos. Transmitiu 44.373 eventos ao vivo apenas durante o ano financeiro de 2024/25, um aumento em relação aos 41.747 do ano anterior.
Os recursos financeiros para adquirir os direitos de transmissão desses eventos desportivos tem origem nas mensalidades dos assinantes. Quanto mais assinantes pagarem as suas mensalidades, mais fácil será para a SuperSport garantir os direitos desses eventos desportivos.
Isto é fundamental para todo um ecossistema desportivo e empresarial, se considerarmos que as assinaturas da DStv são pagas em moeda local, enquanto muitas das principais licenças de transmissão da SuperSport são adquiridas em dólares norte-americanos.
As taxas de assinatura também contribuem para garantir a melhor qualidade de produção. Esse é outro aspecto que os fãs de desporto não vêem, porque se passa nos bastidores: o imenso esforço e dedicação dos técnicos e profissionais de transmissão, para garantir a emissão ao vivo dos eventos desportivos, levá-los às suas casas e garantir que sejam da mais alta qualidade.
São iniciativas que envolvem várias equipas, incluindo especialistas técnicos, que trabalham em conjunto para proporcionar a melhor experiência de visualização.
Embora os operadores de menor dimensão consigam, por vezes, garantir licenças de transmissão, normalmente enfrentam mais dificuldades para entregar a qualidade final do produto televisivo, o que pode causar diversos distúrbios durante a emissão.
Transmissões ilegais a destruir o desporto
É por isso que a pirataria de transmissões e streaming desportivo está a ter um efeito tão devastador na indústria televisiva.
A empresa de estudos de mercado Grand View Research estima que o mercado global de streaming desportivo foi avaliado em 33,93 mil milhões de dólares no ano passado e crescerá para 68,3 mil milhões de dólares até 2030.
Entretanto, relatórios da Synamedia e da Ampere Analysis estimam que a pirataria de transmissões e streaming custa à indústria do desporto 28 mil milhões de dólares por ano. As estimativas apontam para que esse montante seja quatro vezes superior à receita anual da Premier League inglesa.
Uma estatística recente indica que só os clubes da LaLiga perdem 600 a 700 milhões de euros anualmente devido à pirataria.
Estes números impressionantes significam que o dinheiro não está a ser investido no desenvolvimento do desporto nos países afectados, nem no financiamento das equipas, nem na garantia da autenticidade da transmissão ao vivo.
Os adeptos, como sabemos, esperam obter uma experiência de elevada qualidade de visualização quando se trata de desporto ao vivo, mas o streaming ilegal de desporto nunca vai conseguir competir com as transmissões oficiais.
Os utilizadores também estão em risco
Há outro lado negativo para os fãs que assistem a desportos ao vivo ilegalmente através de sites piratas: o risco para as suas informações pessoais. Os sites piratas dependem dos utilizadores fornecerem os seus dados de cartão de crédito e endereços de e-mail, que podem ser usados em esquemas de phishing.
Os sites de streaming ilegal estão ligados a redes criminosas mais amplas. No momento em que as informações pessoais são partilhadas com esses sites, os utilizadores ficam vulneráveis a esquemas fraudulentos e até mesmo a malware nos seus dispositivos digitais.
Embora todos os fãs de desporto sejam tentados a experimentar transmissões desportivas ilegais e serviços de streaming, os especialistas alertam que o público mais jovem é o que corre maior risco. Os utilizadores online mais jovens não só estão habituados a aceder a conteúdos gratuitos nas redes sociais, como também muitas vezes têm dificuldade em pagar as taxas de subscrição das emissoras legítimas.
Autoridades a reprimir
Os principais intervenientes na indústria de transmissão desportiva estão a trabalhar com a polícia em toda a África para deter e impedir o surgimento de operadores ilegais.
Em Setembro, o Streameast — apelidado de “maior rede ilegal de pirataria de desporto ao vivo” do mundo — foi encerrado após uma operação conjunta entre a Alliance for Creativity and Entertainment (ACE) e a polícia egípcia.
O site ilegal registou mais de 1,6 mil milhões de visitas no ano passado e fornecia acesso a transmissões piratas de desporto, incluindo jogos de futebol da Premier League e corridas de Fórmula 1.
A MultiChoice, através da sua empresa de cibersegurança, Irdeto, trabalha regularmente com a polícia local, nos países onde opera, para realizar operações secretas. As contramedidas comprovadas da Irdeto continuam a ser a solução mais poderosa para eliminar a pirataria em Angola.
Através de uma aplicação estratégica da lei, foi possível encerrar com sucesso aproximadamente 450 operações ilegais, protegendo a integridade dos conteúdos.
A cobertura desportiva ao vivo é um grande negócio – para os clubes, para os atletas, para os operadores e para os adeptos. Mas a sustentabilidade futura de desfrutar de desporto ao vivo de alta qualidade nas nossas telas de TV está em risco.
Será necessário o apoio de todos os adeptos, telespectadores e utilizadores online para garantir que os operadores mais capacitados continuem a obter os direitos de transmissão dos maiores e melhores eventos desportivos do mundo.


