A internacional angolana Sara Caetano encara com entusiasmo e ambição o novo desafio da carreira, desta vez no basquetebol universitário dos Estados Unidos, no estado de Ohio, onde pretende aproveitar o elevado nível competitivo para evoluir como atleta e como pessoa.
A extremo-base forjada no Clube Escola Desportiva Formigas do Cazenga, considerou a mudança uma oportunidade importante para concretizar um sonho antigo e ao mesmo tempo sair da zona de conforto.
“Este novo desafio representa uma grande oportunidade de crescimento, tanto a nível desportivo como pessoal. Sempre tive o sonho de jogar nos Estados Unidos e poder concretizá-lo é algo que me deixa muito feliz e motivada”, afirmou Sara Caetano.
A jogadora, que deixa o basquetebol português para prosseguir a formação desportiva e académica nos Estados Unidos da América, reconhece que terá pela frente uma realidade diferente e exigente. Para a primeira época, Sara Caetano coloca a adaptação como prioridade, sem deixar de ambicionar a conquista de espaço na equipa.
“Para a minha primeira época, o principal objectivo é adaptar-me, aprender o máximo possível e ajudar a minha equipa em tudo o que puder. Quero evoluir jogo após jogo, conquistar o meu espaço e dar sempre o meu melhor, independentemente das dificuldades que possam surgir”, referiu.
A internacional angolana espera encontrar nos Estados Unidos um ritmo de jogo mais intenso, acompanhado de maior exigência física e competitividade diária. A dimensão do basquetebol universitário norte-americano é, igualmente, um dos aspectos que mais despertam a atenção da atleta.
“Acredito que vou encontrar um ritmo de jogo mais intenso, maior exigência física e muita competitividade em todos os treinos e jogos. Nos Estados Unidos, o basquetebol universitário tem uma grande dimensão e existe uma cultura muito forte à volta da modalidade”, explicou.
Consciente das dificuldades que poderá encontrar nos primeiros tempos, Sara Caetano entende que a capacidade de adaptação será determinante para o sucesso. A jogadora pretende transformar as diferenças entre o basquetebol europeu e o universitário norte-americano numa oportunidade de aprendizagem.
“Sei que vou ter de me adaptar rapidamente, não só ao estilo de jogo, mas também à intensidade e às exigências do dia-a-dia. Ao mesmo tempo, vejo essas diferenças como uma oportunidade para aprender e evoluir”, sublinhou.
No plano individual, a atleta estabeleceu várias metas para esta nova etapa. Entre os aspectos que pretende melhorar, estão a consistência, a tomada de decisão, o lançamento e a capacidade defensiva.
“Também quero ganhar mais confiança e aprender a lidar com diferentes situações dentro de campo”, disse.
Para a jogadora, a possibilidade de treinar diariamente num ambiente de elevada competitividade será fundamental para acelerar o processo de evolução.
Extremo-base tem percurso forjado em várias escolas
Aos 22 anos, Sara Caetano prepara-se para dar mais um passo na carreira, desta vez no basquetebol universitário dos EUA. A extremo-base angolana, de 1,72 metros, vai representar a Bowling Green State University (BGSU), no estado de Ohio, que compete na I Divisão da NCAA, o principal escalão do basquetebol universitário norte-americano.
Antes de chegar ao palco universitário dos EUA, a jogadora construiu o percurso em diferentes escolas de formação, com passagem pelas Formigas do Cazenga, em Angola, clube em que deu os primeiros passos e começou a desenvolver as bases da carreira.
O talento demonstrado em Luanda abriu-lhe as portas do basquetebol internacional. Sara prosseguiu a formação em França, na Tony Parker Academy, estrutura criada pelo antigo internacional francês Tony Parker e reconhecida pelo trabalho desenvolvido na formação de jovens basquetebolistas.
A experiência francesa representou uma etapa importante no crescimento permitindo-lhe trabalhar num ambiente de elevada exigência e adquirir ferramentas para competir a um nível mais alto.
Depois da passagem por França, Sara Caetano rumou a Portugal, onde encontrou espaço para continuar a evolução. Nas últimas épocas, representou o Quinta dos Lombos, de Carcavelos, tornando-se numa das jogadoras importantes da equipa.
Na temporada 2025/2026, a internacional angolana apresentou números de relevo, com médias de 11,4 pontos, 6,8 ressaltos, 2,4 assistências e 2,2 roubos de bola por jogo. O desempenho contribuiu para uma campanha positiva do Quinta dos Lombos, que terminou a fase regular da Liga portuguesa na primeira posição.
A equipa de Carcavelos chegou à final do play-off, mas perdeu o título diante do Benfica, 3-2, eliminatória decidida no quinto e último jogo.
Nas últimas duas temporadas, a jogadora esteve ao serviço do 1.º de Agosto, na fase final do nacional, por empréstimo do Quinta dos Lombos.
Depois da experiência no basquetebol português, Sara aceitou o desafio de atravessar o Atlântico e prosseguir a carreira nos Estados Unidos.
A Bowling Green State University confirmou oficialmente, a 14 de Agosto, a integração da jogadora angolana no programa de basquetebol feminino para o ano académico 2026/2027, mas a instituição não revelou, contudo, a duração do vínculo.
Estudos caminham com o basquetebol
Sara Caetano atribui grande importância à formação académica e considera que a experiência de jogar nos Estados Unidos representa também uma oportunidade para preparar o futuro profissional para além do basquetebol.
“Para mim, a formação académica é tão importante quanto o basquetebol. Sou muito grata por ter a oportunidade de continuar os meus estudos enquanto pratico a modalidade a um nível elevado”, salientou.
A internacional angolana considera que conciliar a prática da bola ao cesto e os estudos constitui uma mais-valia, sobretudo, tendo em conta a curta duração da carreira de uma atleta profissional.
“O basquetebol faz parte dos meus sonhos, mas sei que a carreira de uma atleta não dura para sempre. Por isso, quero aproveitar esta oportunidade para me preparar também para o futuro fora das quatro linhas”, frisou a extremo-base.
A nova experiência também leva Sara Caetano a deixar uma mensagem aos jovens basquetebolistas angolanos que ambicionam jogar no estrangeiro. Para a atleta, o talento deve ser acompanhado por trabalho, disciplina e persistência.
“Aos jovens basquetebolistas angolanos, diria para acreditarem nos seus sonhos e, acima de tudo, trabalharem muito por eles. Nem sempre o caminho vai ser fácil e vão existir momentos de dúvida ou dificuldades, mas é importante manter o foco, ser disciplinado e nunca deixar de acreditar no próprio potencial”, aconselhou.
A internacional encara ainda a passagem pelo estrangeiro como uma responsabilidade acrescida, por representar o país dentro e fora do campo.
“Representar Angola no estrangeiro é uma grande responsabilidade, mas também um enorme orgulho. Espero poder inspirar outros jovens a acreditarem que também é possível chegar longe através do trabalho, dedicação e paixão pelo basquetebol”, concluiu.




