Das 16 equipas participantes no Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, Girabola, da época 2026-2027, seis trocaram os comandos técnicos e optaram por treinadores nacionais e estrangeiros.
A revolução nos bancos atingiu o Petro de Luanda, Wiliete de Benguela, Interclube, Desportivo da Lunda-Sul, FC Bravos do Maquis e FC Luanda., sendo este último, o recém-promovido à prova.
A formação do “Catetão” contratou João Pedro de Sousa, técnico luso-angolano, tendo como aposta a revalidação do título do Girabola, assim como a conquista da Taça de Angola e uma participação digna na Liga dos Campeões da CAF.
O conjunto verde e amarelo benguelense recorreu aos préstimos de Beto Bianchi, treinador hispano-brasileiro. A equipa maquisarde conta com a experiência de Sandro Mendes, 49 anos, luso-cabo-verdiano, com o intuito de contrariar a tendência da má prestação da temporada transacta.
Na mesma esteira, a turma da Polícia deposita esperanças em Divaldo Alves, 47 anos, para a recuperação da mística dos azuis e pretos e pôr fim à série de resultados negativos dos últimos anos.
Os lundas de Saurimo foram resgatar Maurílio Silva, 49 anos, dos arquivos de “perdidos e achados”.
Em relação às formações que subiram ao escalão superior do futebol angolano, o FC de Luanda apostou no português Rui Santos para liderar a equipa na estreia no Girabola e deste modo consolidar a posição entre a elite doméstica.
CONTINUIDADE DOS LÍDERES
Quanto às restantes equipas, o Recreativo da Caála e o FC de Cabinda deram voto de confiança aos treinadores. Artur Correia e Nzola Nseka assumem o compromisso de consolidar o trabalho que iniciaram na época transacta e que resultou no regresso de ambas ao “Nacional” de futebol.
Das quatro equipas envolvidas nas Afrotaças, duas não mudaram a estrutura técnica, 1.º de Agosto e Kabuscorp do Palanca.
Apesar da forte contestação por parte da “afición” militar, Filipe Nzanza “sobreviveu” no cargo de técnico principal.
Nas hostes palanquinas, Léo Neiva compromete-se a fazer uma campanha ao nível do estatuto do clube, depois de render no cargo o compatriota Beto Bianchi.
O 1.º de Maio, Académica do Lobito, Recreativo do Libolo e São Salvador do Kongo confirmaram também a continuidade dos treinadores.
Águas da Silva encabeça a liderança técnica dos “encarnados” de Benguela, na segunda época, ao passo que Silvestre Pelé tem a incumbência de melhorar a prestação dos “estudantes” no Girabola.
Osvaldo Roque “Jony”, que voltou a uma casa que bem conhece na época anterior, tem a obrigação de levar a turma de Calulo a um patamar elevado e evitar o susto do rebaixamento.
A exemplo de Jony, Silva Cussanda tem a missão de carregar o representante do Kongo a uma temporada mais tranquila que a passada.
NACIONALIDADES
Na temporada 2026-2027, dos 16 treinadores inscritos, nove são nacionais e sete estrangeiros.
A procura de mão-de-obra expatriada, no caso de treinadores, cresceu substancialmente, se comparada com a edição transacta.
Os clubes angolanos têm apostado no mercado português, razão pela qual estarão presentes quatro treinadores lusos.
Trata-se de Paulo Torres (Desportivo da Huíla), Sandro Mendes (FC Bravos do Maquis), Rui Santos (FC Luanda) e João Pedro de Sousa (Petro de Luanda).
Com excepção do técnico do conjunto huílano, os demais fazem o baptismo no Nacional de futebol, mas trazem experiência de outras realidades, incluindo da Ásia e da Europa.
Logo a seguir ao quarteto de portugueses, segue o trio de brasileiros, que viu o número aumentar após a chegada de Léo Neiva ao Kabuscorp e os regressos de Beto Bianchi (Wiliete de Benguela) e Maurílio Silva (Desportivo da Lunda-Sul).
Ao longo da época 2025-2026, houve um ligeiro aumento de treinadores no banco das equipas.
A prova arrancou com seis técnicos inscritos e, contribuíram as contratações do francês Bruno Ferry, do argentino Gustavo Onaindia e do português Sérgio Traguil.
Naquela altura, Franc Artiga comprometeu-se com o Petro, mas em Janeiro accionou a cláusula de desvinculação.
PERFIL DOS TREINADORES
Filipe Nzanza
56 anos (1.º de Agosto)
Apreciado por uns e contestado por outros, o treinador militar caminha para a quinta época. O antigo médio defensivo mereceu mais um voto de confiança da direcção presidida por Gouveia de Sá Miranda. A conquista do Girabola é o que se exige depois de falhar nos anos anteriores.
Léo Neiva
48 anos (Kabuscorp)
O brasileiro treina a turma palanquina pela segunda vez. E a meta não difere de outras ocasiões: montar uma equipa competitiva e lograr o título do “Nacional” de futebol, atendendo ao número de contratações no início de época.
Paulo Torres
54 anos, (Desportivo da Huíla)
O treinador português caminha para a décima época em solo angolano e a quarta consecutiva à frente do emblema huílano. Os anos fazem dele o técnico mais longevo entre os treinadores do Girabola. O técnico prolongou o vínculo com a equipa da região sul por mais duas temporadas e manifestou ambições de disputar as “Afrotaças”.
Francisco Moniz “Frank”
56 anos, (Sagrada Esperança)
Quadro permanente dos diamantíferos, o angolano vai na quarta época, alternando o papel de principal e interino. Ao “bombeiro”, como é tratado nos meandros futebolísticos, cabe montar um plantel diferente do da época passada e tornar o Sagrada Esperança um candidato ao título.
Águas da Silva
53 anos (1.º de Maio)
Com passado nas categorias de base e em clubes do segundo escalão, o treinador tem como missão a melhoria da prestação passada.
Silvestre Pelé
61 anos (Académica do Lobito)
É um dos treinadores mais experientes do Girabola. Inicialmente, estava de costas voltadas para a direcção dos “estudantes”, mas o mal-entendido acabou ultrapassado. Feitas as pazes, Pelé continua à frente da equipa, mas com objectivo modesto face à crise financeira na Académica do Lobito.
Osvaldo Roque “Jony”
56 anos (CR Libolo)
O antigo médio das Palancas Negras vai na segunda época. Há três meses, o treinador salvou a formação libolense de descer de divisão, um feito relevante atendendo às circunstâncias em que encontrou a equipa.
Silva Cussanda
54 anos (São Salvador)
O antigo defesa central do Atlético Sport Aviação (ASA) e do Kabuscorp do Palanca faz parte de uma nova geração de treinadores angolanos e é especialista em motivar os atletas.
Artur Correia
53 anos (Recreativo da Caála)
O ex-treinador de formação do 1.º de Agosto é o responsável pelo regresso do clube da antiga Vila Robert Williams ao “Nacional” de futebol após anos de ausência.
Rui Santos
61 anos (FC Luanda)
A par do angolano Silvestre Pelé, o português é o treinador mais velho do Campeonato Nacional da I Divisão e faz o seu baptismo na alta roda do futebol doméstico.
Nzola Nseka
52 anos (FC de Cabinda)
O treinador ficou conhecido por devolver os “Gorilas” do norte ao Girabola, depois de uma década e meia longe do convívio dos grandes.




