Virada dramática coloca Argentina na final de domingo

O final do jogo foi próprio de uma meia-final, com dois golos que provocaram diferentes tipos de emoções no relvado e nas bancadas, porque Enzo e Lautaro Martínez assinaram o livro do golo quando a Argentina parecia uma ursa a procura dos filhotes desaparecidos, em meio ao cobarde recuo da Inglaterra, que pagou pela falta de visão e ambição, até do seu negligente treinador. Morreu na praia! A maneira como os ingleses esconderam o talento no relvado foi questionável demais, nada justificava a falta de ousadia por causa do traiçoeiro 1-0 marcado aos 55. A bem da verdade, agiram como quem não acompanhou o percurso dos argentinos até chegar a meia-final.
Os ouvidos de mercador trouxeram consequências irreparáveis, pois a Inglaterra estava mesmo diante da porta larga de oportunidade para regressar a final do Mundial, sonho que dura desde 1966. No entanto, os seus joelhos vacilantes permitiram a reviravolta dramática da Argentina. Quando Gordon assistido por Rogers se antecipou a Molina para tirar o primeiro do marcador, a meia-final na prática estava mesmo a começar, muito tarde, é verdade, mas até antes do golo havia muita parra e pouca uva em campo, porque as duas selecções estavam muito mais preocupadas com coisas de somenos importância.Queriam tudo, menos jogar, em alguns períodos parecia uma partida de rugby. Por causa da falta de brio profissional das duas equipas, a meia-final demorou muito a cozer, porque nunca houve preocupação de recorrer ao lume brando para dignificar o acesso à final. Fica fácil perceber, por que a primeira parte terminou com 19 faltas assinaladas, a emoção tomou conta de tudo e todos, até do árbitro Ismail Elfath, poderia ter colocado um freio nos atletas com o cartão amarelo. Muita coisa mudou no relvado quando as duas selecções decidiram cumprir com as suas obrigações.Deu para ver um pouco de futebol, em parte por demasiada culpa da Inglaterra, porque depois de marcar desapareceu do relvado, deixou a Argentina tomar conta do jogo. Messi teve liberdade para aparecer e assumir o protagonismo.O empate várias vezes recusou-se a dar a cara, foram vários os sérios avisos, sem nenhuma reacção inglesa. Qual espírito do campeonato inglês qual quê! Talvez por jogar no campeonato inglês, o médio Enzo desde a etapa inicial agiu como se soubesse que o caminho do golo estava na meia distância. Num único minuto, 85, conseguiu devolver a esperança da Argentina.O guarda-redes Pickford defendeu o primeiro remate para canto, mas o segundo foi para o empate, assistência de Messi. Antes do 1-1, o técnico argentino Lionel Scaloni fez várias mexidas com o propósito exclusivo de agitar e revirar o jogo.O oposto aconteceu com o seu homólogo inglês, pois preferiu mexer para defender, tinha outras boas opções no banco, mas escolheu a tracção defensiva. As consequências tornaram-se bem evidentes num abrir e fechar de olhos, porque a quinta mudança resultou no 2-1 Lautaro Martínez saltou do banco aos 81 para aos 90+2 fazer de cabeça o golo da virada da final, assistido por Messi, que tirou pleno proveito de um mau alívio de Spence. O impensável aconteceu depois do golpe fatal, pois, finalmente o técnico Thomas Tuchel lembrou-se que afinal tinha mesmo atacantes no banco.No desespero colocou dois de imediato, mas a Inglaterra já não tinha força anímica para recuperar do golpe fatal e do mito de Messi não perder um jogo apitado pelo americano Ismail Elfath.



