O ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, apontou ontem, em Luanda, a activação dos principais corredores de desenvolvimento do país como prioridade máxima para os próximos 12 meses.
Falando à margem da 3.ª Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Economia Azul em África, o governante explicou que a meta é transformar corredores e infra-estruturas portuárias em plataformas de integração regional, adoptando o conceito de "Portos Azuis" para facilitar o comércio continental. Após o arranque do Corredor do Lobito, o Ministério avança agora com o concurso público para a implementação de um segundo corredor, estando já programada a activação de um terceiro na região Norte. Segundo Ricardo d'Abreu, os investimentos públicos focam-se nas infra-estruturas marítimas e portuárias, enquanto o sector privado ganha protagonismo com novos empreendimentos. O destaque vai para o projecto greenfield na Zona Franca da Barra do Dande, o primeiro porto construído de raiz pelo capital privado em Angola. Reformas e SustentabilidadeO ministro defendeu a consolidação das reformas estruturais como condição obrigatória para o avanço da Economia Azul e a eficiência do comércio externo, onde o transporte marítimo lidera as importações e exportações. Nos últimos anos, o sector passou por alterações legislativas na marinha comercial, portos e actividades conexas, além de uma profunda reorganização institucional. O foco actual é garantir a aplicação rigorosa dos princípios internacionais de Estado Costeiro, Estado do Porto e Estado de Bandeira. Ricardo d’Abreu reforçou ainda a necessidade de cumprir convenções globais de protecção ambiental, segurança e salvaguarda dos profissionais do mar. Infra-estrutura e TecnologiaNo âmbito da segurança soberana e da salvaguarda das águas territoriais, ganharam especial destaque os robustos investimentos realizados pelo Executivo angolano na modernização tecnológica dos sistemas de vigilância marítima e na reestruturação física das infra-estruturas portuárias nacionais. Estas iniciativas visam mitigar riscos operacionais, combater crimes transfronteiriços no Golfo da Guiné e garantir a segurança das rotas comerciais estratégicas que cruzam o Atlântico Sul. Neste cenário de transformação, o ministro dos Transportes revelou que a actualização da Estratégia Marítima e Portuária Nacional entrou na sua fase de conclusão. Este documento estratégico funcionará como o principal plano director (master plan) para o sector nos próximos anos, servindo de guia técnico e político para orientar a transição ecológica dos portos e maximizar a contribuição da economia azul no Produto Interno Bruto (PIB). Paralelamente a estas reformas estruturais, o Executivo mantém um foco duplo na conectividade interna e na competitividade global. Por um lado, prioriza-se a optimização dos serviços de cabotagem marítima de carga e passageiros, integrando de forma mais eficiente as províncias costeiras do país. Por outro, fomenta-se a atracção de capital privado qualificado e de operadoras internacionais de referência através de novos programas de concessões públicas, promovendo um ambiente de negócios transparente, competitivo e sustentável a longo prazo.




