O secretário-geral da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), Wamkele Mene, revelou, na Cidade do Soyo, província do Zaire, que a organização prevê atingir, até o próximo ano, um volume de transacções comerciais na ordem dos 230 mil milhões de dólares.
Wamkele Mene falava à imprensa no final de uma visita demorada às instalações do futuro Complexo Industrial de Fertilizantes, na Cidade do Soyo, e ressaltou que o montante representa um acréscimo de dez mil milhões de dólares em relação ao volume registado em 2024. Para o secretário-geral da ZCLCA, o acréscimo projectado reflecte a vontade de mais de 50 países subscritores do acordo, com destaque para os sectores privados dos mesmos, tendo em conta a dinamização das trocas comerciais no continente. Apesar dos avanços, realçou Wamkele Mene, existem desafios ligados à infra-estrutura de apoio logístico e transportes, cujos esforços estão a ser feitos. "Ultrapassada essa questão, o continente reconquista o seu lugar no sector comercial", considerou. Empenho de Angola valorizado Em relação a Angola, Wamkele Mene destacou o empenho das autoridades na implementação da ZCLCA, com o protagonismo atribuído ao sector privado, considerado essencial para o sucesso desse modelo de integração económica. Por outro lado, Wamkele Mene mostrou-se satisfeito com o projecto da Indústria de Fertilizantes, que, no seu entender, deve beneficiar também outros países africanos.Wamkele Mene destacou o papel do Grupo Opaia, que tutela o projecto na Cidade do Soyo, iniciativa que vai contribuir para o combate à insegurança alimentar em África e promover a industrialização do continente. O secretário-geral da ZCLCA reconheceu, por outro lado, que África continua a depender da importação de bens alimentares, cujo quadro pode se inverter com a entrada em funcionamento do Complexo da Fábrica de Fertilizantes no Soyo. O projecto denomina-se Amufert e é resultado de uma parceria entre o Grupo Opaia e a Sonangol, com financiamento do Afreximbank, avaliado em 2,2 mil milhões de dólares.Com uma capacidade de produção diária estimada em quatro mil toneladas, o Complexo Industrial de Fertilizantes deverá produzir cerca de 1,5 milhão de toneladas de ureia por ano, destinadas ao mercado nacional e os excedentes para exportação. O referido complexo, que prevê a criação de 4.500 empregos, tem prevista a produção de fertilizantes à base de fosfato, cujo processo de prospecção decorre na comuna de Mukula, município do Tomboco, e no Soyo.




