Alojamento e restauração geram 500 mil milhões kz em volume de negócios em Angola

As actividades de alojamento, restauração e agências de viagens e turismo em Angola geraram mais 500 mil milhões de kwanzas em volume de negócios, segundo dados oficiais do sector, empregando mais 150 mil pessoas.
Os dados foram avançados esta Quinta-feira, 30, pelo ministro do Turismo, Márcio Daniel, que discursava na abertura do VI Fórum Banca e Seguro, promovido pela Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO).
O governante reforçou que, actualmente, o desafio é aumentar esta escala para que os benefícios do turismo cheguem a mais empresas, famílias e comunidades.
“Esta missão torna-se mais urgente num país em que 62% da população tem menos de 25 anos. O turismo pode ser uma das grandes portas de entrada dos nossos jovens para o mercado de trabalho decenteˮ, referiu.
O titular da pasta do turismo defendeu que o turismo pode criar oportunidades na hotelaria, na restauração, mas também nos transportes, agricultura, tecnologias, cultura, eventos e na conservação ambiental, transformando um simples jovem num profissional qualificado, um guia local num empreendedor, um artesão num fornecedor, um agricultor num parceiro da indústria turística.
Por esta razão, segundo argumentou o ministro angolano, o turismo não deve ser visto como um sector isolado, pois é uma plataforma que activa outros sectores da economia.
“O kwanza gasto por um visitante não termina no hotel, chega ao agricultor que fornece alimentos, ao transportador que assegura a mobilidade, ao artesão que produz uma peça, ao artista que cria uma experiência, à empresa que presta serviços e chega às famílias através do salário e do rendimento geradoˮ, descreveu, no certamente que reflectiu “A Importância do Turismo como Factor de Desenvolvimento Económico e Social”.
Márcio Daniel afirmou que quando se financia um empreendimento em Cabo Ledo, não se financia apenas quartos, estamos a criar procura para produtores agrícolas, transportadores, guias, restaurantes, artesãos, grupos culturais e pequenas empresas locais, mas se cria uma economia à volta de um destino.
“É desta forma que o turismo pode contribuir para um desenvolvimento mais equilibrado do território nacional, levando mais investimento ondes estão os nossos activos, criando oportunidades onde vivem as nossas comunidades e reduzindo a concentração da actividade económica nos principais centros urbanosˮ, disse.
A evidência para a África Subsaariana, de acordo com o governante, indica que, por cada emprego criado directamente no turismo, podem ser gerados aproximadamente 1,5 empregos adicionais nos sectores relacionados, o que significa que 10 mil novos empregos directos podem suportar uma pegada total próxima de 25 mil postos de trabalho. Este é o verdadeiro efeito multiplicador do turismo.
Promoção de um turismo inclusivo com a participação da banca
Na visão de Márcio Daniel, as comunidades não podem ser apenas o cenário onde a experiência turística acontece, devem participar na sua criação e beneficiar do valor gerado.
A nossa música, a nossa dança, a nossa gastronomia, a nossa história e o nosso artesanato não são elementos decorativos são activos económicos, são factores de diferenciação, são parte da identidade que Angola apresenta ao mundo.
O país, conforme o ministro, quer artesãos ligados aos circuitos turísticos, criadores justamente remunerados, guias formados, produtores locais integrados nas cadeias de fornecimento e jovens com acesso ao mercado, ao financiamento e à oportunidade de construir os seus próprios negócios.
Ao destacar o papel determinante da banca e do sector segurador, Márcio Daniel sinalizou que financiar o turismo não é apenas financiar edifícios, mas financiar cadeias produtivas, fornecedores locais, equipamentos, soluções digitais, capital circulante e desenvolvimento territorial.
À banca, o governante propõe uma visão integrada da cadeia de valor do turismo e instrumentos ajustados à sua realidade e reconheceu a missão dos seguros de proteger o investimento, os trabalhadores, os visitantes e a continuidade das operações.
“A banca mobiliza o capital, os seguros protegem o capital e a cadeia produtiva angolana multiplica o impacto desse capital. a nossa ambição não é apenas receber mais visitantes. É fazer do turismo uma das principais plataformas de emprego jovem, desenvolvimento provincial e diversificação económica de Angolaˮ, precisou.
O sucesso, sustentou, será medido pelos empregos criados, pelas empresas que crescerem, pelos jovens que encontrarem oportunidades, pelas famílias que aumentarem os seus rendimentos e pelos activos naturais e culturais que conseguirmos preservar.


