Angola e Botswana vão reforçar a cooperação no sector diamantífero para proteger e valorizar os diamantes naturais, numa altura em que a expansão da produção de pedras sintéticas começa a pressionar o mercado internacional, anunciou esta Terça-feira, 8, em Luanda, o Presidente João Lourenço.
O chefe de Estado angolano revelou igualmente que Angola mantém o objectivo de entrar no capital da De Beers, procurando trabalhar com o Botswana, que já integra a estrutura accionista da companhia, para viabilizar uma participação relevante.
As duas questões foram abordadas por João Lourenço e pelo seu homólogo botswanês, Duma Boko, após a assinatura de três instrumentos jurídicos de cooperação entre os dois países, durante a visita de Estado do Presidente do Botswana a Angola.
João Lourenço destacou a importância estratégica da indústria diamantífera para as duas economias, que estão entre os principais produtores de diamantes naturais do continente africano, alertando para o impacto que a expansão dos diamantes produzidos em laboratório poderá ter sobre a actividade.
“Diamante só é diamante aquele que é natural. Mas essa indústria que traz bastantes receitas para os nossos países, para o desenvolvimento dos nossos países, vem sendo ameaçada pelo surgimento repentino do chamado diamante sintético, que é feito em laboratório, não vem da natureza”, afirmou.
Segundo o Presidente angolano, a principal ameaça resulta da diferença de preço entre os dois produtos, uma vez que os diamantes sintéticos podem ser produzidos a custos inferiores, colocando pressão sobre a comercialização e o posicionamento dos diamantes naturais no mercado internacional.
“Vamos trabalhar de mãos dadas para continuarmos a valorizar o nosso diamante, uma vez que ele dá emprego ao nosso povo, aos nossos jovens e traz receitas para serem investidas em programas sociais, na saúde, na educação, nas infra-estruturas, de forma que possamos desenvolver os nossos países”, salientou.
Para Duma Boko, um dos desafios actuais do sector está igualmente relacionado com a forma como os diamantes são apresentados e comercializados nos mercados internacionais. O Presidente botswanês revelou que o seu país está a desenvolver uma “campanha robusta de marketing” para promover os diamantes provenientes dos países produtores.
Neste quadro, manifestou a disponibilidade do Botswana para aprofundar a cooperação com Angola, que classificou como “um importante produtor de diamantes”, com o objectivo de assegurar que a indústria continue a gerar receitas e a contribuir para o desenvolvimento das duas economias.
“Esperamos ansiosamente, neste sentido, trabalhar com Angola, que é grande produtora de diamantes também, e garantir que este produto continue a empoderar e a alimentar as nossas economias e apoiar vidas”, frisou.
Angola quer entrar no capital da De Beers com apoio do Botswana. (Foto: DR)
Angola mantém ambição de entrar na De Beers
A cooperação entre os dois países ganha uma dimensão adicional na estratégia de Angola para reforçar a sua posição na indústria diamantífera mundial. João Lourenço reafirmou o interesse do país em tornar-se accionista da De Beers, indicando que Luanda mantém contactos com as partes envolvidas no processo, incluindo o Botswana.
O Presidente angolano considera que a posição dos dois países enquanto grandes produtores africanos de diamantes justifica uma maior participação na estrutura accionista da companhia.
“Sendo Angola e o Botswana os dois maiores produtores de diamantes do continente, e não havendo tantos produtores de diamantes no mundo, penso que é justo que passemos a ser também accionistas da De Beers”, advogou.
Para Lourenço, uma participação na De Beers permitiria aos dois países produtores aumentar a sua influência sobre uma cadeia de valor estratégica para as respectivas economias, particularmente no domínio da produção e comercialização dos diamantes naturais.
O Botswana, que já é accionista da De Beers, mantém negociações sobre o futuro da estrutura accionista da companhia. Duma Boko reconheceu que o processo tem sido prolongado e que os envolvidos mantêm reserva quanto aos seus detalhes.
“No tempo certo, quando o acordo for feito, vamos fazer os devidos anúncios. É suficiente, neste momento, dizer que Angola tem estado envolvida. Temos estado a interagir com Angola e temos tido boas deliberações. Estamos no bom caminho com Angola”, explicou.
A aproximação entre Luanda e Gaborone coloca, assim, o sector diamantífero no centro da agenda bilateral, combinando uma estratégia de defesa do valor dos diamantes naturais com a intenção de aumentar a participação africana nos principais mecanismos de decisão e comercialização da indústria mundial.



