Angola e Brasil analisam cooperação no domínio da agricultura

Luanda – O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, analisou, esta terça-feira, em Luanda, com o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, o reforço da cooperação, com a assinatura de um acordo de transferência de tecnologias, nos próximos meses, com vista a aumentar a produção de bens alimentares e criar oportunidades para exportação.
à saída da audiência que lhe foi concedida, o ministro brasileiro afirmou que o seu país está determinado em aprofundar a cooperação bilateral, no quadro de uma orientação directa do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, que visa a transferência de tecnologia e o aumento da produção agrícola, particularmente de alimentos, em solos angolanos com elevado potencial.
Explicou que o Brasil apresentou formalmente uma proposta estruturada e elaborada por um grupo de trabalho que integra produtores, empresários e o Governo brasileiros, visando criar condições para que os dois países acelerem o desenvolvimento do sector agro-pecuário em Angola.
Carlos Fávaro revelou que a próxima etapa passa pela organização de uma agenda no Brasil, onde o Executivo angolano irá apresentar as suas considerações, envolvendo bancos de investimento, fundos de garantias e produtores dos dois países para ultrapassar os constrangimentos técnicos e permitir que as operações possam iniciar no terreno.
Destacou a importância da transferência de tecnologia agrícola, e sublinhou o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada há mais de cinco décadas, e considerada hoje a maior instituição de pesquisa agro-pecuária tropical do mundo.
Enfatizou as semelhanças climáticas entre Angola e Brasil, que podem permitir que o país se torne, em pouco tempo, um actor relevante no mercado agrícola global.
Deu a conhecer que quatro grandes grupos empresariais brasileiros já identificaram oportunidades em Angola, nas áreas de produção de grãos, como milho e soja, algodão e pecuária, incluindo carne bovina e suína, tendo manifestado interesse em investir com participação activa de angolanos.
No domínio financeiro, garantiu que o Brasil está disposto a apoiar o projecto, através do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e do Banco do Brasil (BB), assegurando linhas de crédito para investimento, exportação e financiamento de infra-estruturas essenciais, como armazéns, sistemas de irrigação, máquinas e equipamentos agrícolas.
Adiantou que entre 25 a 30 grupos empresariais estão a trabalhar de forma conjunta na estruturação do modelo de investimento, com várias regiões de Angola já identificadas, reafirmando que o volume de financiamento dependerá da procura e da dimensão dos projectos apresentados por produtores brasileiros e angolanos.
Brasil e Angola assinaram, em 1980, um Acordo Geral de Cooperação Económica, Técnico-Científico e Cultural que constitui a base de desenvolvimento da cooperação entre os dois países.
O secretário de Estado angolano para as Florestas, João Manuel Cunha, disse que o Executivo está a fazer a sua parte, na medida em que está interessado em levar a bom porto esta excelente cooperação com empresas brasileiras, numa altura em que já foram disponibilizados cerca de 20 mil hectares.
João Manuel Cunha recordou que, entre outras responsabilidades, cabe ao Executivo efectuar a cedência de terras para o início do projecto.
Recorde-se que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a Independência de Angola, proclamada a 11 de Novembro de 1975.
Integraram a delegação dirigida por José de Lima Massano, os ministros da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, e das Finanças, Vera Davis de Sousa, entre outros representantes do Executivo angolano.



