Angola e Espanha reforçaram, quarta-feira, em Vigo, a cooperação no domínio da Economia Azul, durante o Fórum de Negócios da Economia Azul – VIGO 2026, realizado no âmbito da Feira Internacional de Produtos do Mar Congelados (CONXEMAR).
O encontro, realizado pela SATEC, pelo Clúster Marítimo Español (CME) e pelo Ministério das Pescas e Recursos Marinos de Angola, reuniu representantes governamentais, diplomatas, empresários e instituições financeiras de Angola, Espanha e da União Europeia.
A iniciativa contou com o apoio institucional das Embaixadas de Angola em Espanha e de Espanha em Angola, bem como da Oficina Económica e Comercial da Embaixada de Espanha em Luanda e da Fundación para la Internacionalización de las Administraciones Públicas (FIAP).
Durante o fórum, foram discutidas oportunidades de investimento, cooperação empresarial e financiamento para o desenvolvimento da Economia Azul em Angola, com destaque para a pesca, aquicultura, construção naval, processamento, logística e investigação científica.
Na abertura, o director-geral de Pesca Sustentável do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação de Espanha, Ramón de la Figuera, reafirmou o compromisso das autoridades espanholas em apoiar empresas interessadas em expandir as suas actividades para Angola.
A embaixadora de Angola em Espanha, Balbina Malheiros Dias da Silva, destacou o potencial da costa angolana e defendeu o reforço da cooperação entre os dois países.
Entre as propostas apresentadas esteve a criação de uma parceria estratégica entre os Portos de Luanda e de Vigo, a atracção de investimento espanhol para projectos de aquicultura industrial e a implementação de programas conjuntos de formação técnica e científica entre instituições angolanas e espanholas.
A ministra das Pescas e Recursos Marinos de Angola, Carmen Sacramento dos Santos, apresentou as prioridades do Executivo para o desenvolvimento da Economia Azul, que definiu como uma actividade económica baseada no aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.
A governante destacou três áreas principais da cadeia de valor do sector: o período antes da pesca, ligado à construção naval e aos insumos; a actividade de pesca e aquicultura; e a fase pós-pesca, que envolve o processamento e a logística.
Segundo a ministra, a fase pós-pesca apresenta particular importância para a distribuição de riqueza e para a criação de oportunidades económicas nas comunidades locais.
O fórum contou ainda com três painéis temáticos dedicados às prioridades do Governo angolano, à experiência empresarial espanhola e aos mecanismos de apoio da União Europeia.
Foram abordados projectos ligados às empresas públicas da Economia Azul, investigação científica na Zona Económica Exclusiva (ZEE), pesca industrial, construção naval, aquicultura, financiamento e a estratégia Global Gateway da União Europeia.
Durante a mesa-redonda sectorial, representantes dos governos de Angola e Espanha, empresas pesqueiras e instituições financeiras analisaram oportunidades de investimento e mecanismos de financiamento para projectos como o Programa Kalunga, a Lota de Luanda e a fiscalização da pesca.
À margem do fórum, a ministra Carmen Sacramento dos Santos manteve igualmente encontros com empresas e instituições do sector, entre as quais a Acuiplus, BPMS, Bureau Veritas e Deutsche Bank.
As reuniões abordaram, entre outros assuntos, o desenvolvimento da aquicultura industrial, modernização e capacitação da frota pesqueira, certificação de embarcações e financiamento de projectos estratégicos em Angola.
O Fórum de Negócios da Economia Azul – VIGO 2026 procurou, assim, aproximar as prioridades de desenvolvimento do sector em Angola da experiência empresarial espanhola e dos instrumentos de financiamento disponíveis através da União Europeia.




