O investimento no sector alimentar em Angola deve começar pelo conhecimento das necessidades do mercado e pelo diálogo com os consumidores, defende o empresário Lucas Atanazio Vetorasso, num artigo de opinião em que aborda os desafios para quem pretende abrir ou expandir negócios no país.
Segundo o autor, a alimentação desempenha também um papel social e cultural, aproximando pessoas e permitindo conhecer hábitos, tradições e formas de vida.
Para Vetorasso, a proximidade linguística entre Angola, Brasil e Portugal pode facilitar as relações comerciais, mas não deve levar investidores a presumir que os três mercados funcionam da mesma forma.
Defende, por isso, que quem pretende investir em Angola deve procurar conhecer os hábitos dos consumidores, o seu poder de compra, as suas preferências e a relação que mantêm com os estabelecimentos comerciais.
O empresário considera importante ouvir quem já trabalha no terreno, incluindo produtores, comerciantes, cozinheiros e proprietários de estabelecimentos.
Na sua perspectiva, esta aproximação permite compreender melhor os problemas existentes e encontrar soluções ajustadas à realidade local.
Vetorasso alerta para o risco de projectos de expansão serem concebidos sem uma análise suficiente das necessidades dos consumidores. Para o empresário, a abertura de uma nova loja deve ser precedida por uma avaliação das condições necessárias para garantir a sua sustentabilidade.
O autor destaca que o sucesso de um negócio não depende apenas da capacidade de atrair clientes.
Depois da abertura de um estabelecimento surgem outras responsabilidades, como o pagamento de salários, aquisição de produtos, manutenção de equipamentos, controlo de desperdícios e definição adequada dos preços.
Neste sentido, defende a necessidade de ajudar pequenos empresários a melhorar a gestão dos seus negócios, permitindo-lhes controlar custos e organizar melhor as operações.
É neste contexto que Lucas Atanazio Vetorasso apresenta a possibilidade de criação de um Centro Atanazio de Empreendedorismo em Angola.
A iniciativa seria dirigida sobretudo a negócios que já estão em funcionamento, incluindo restaurantes, pequenas marcas, produtores e comerciantes que necessitam de acompanhamento para melhorar a actividade.
Entre as propostas está a organização de compras conjuntas entre pequenos operadores, de modo a permitir melhores condições de negociação com fornecedores, maior previsibilidade das encomendas e melhor organização das entregas.
O empresário defende que estas iniciativas devem ser desenvolvidas em parceria com actores locais e a partir das dificuldades identificadas por quem já trabalha no mercado angolano.
A proposta inclui igualmente formação prática em áreas como segurança alimentar, conservação de produtos, redução do desperdício e organização do serviço.
Na componente de gestão, Vetorasso defende uma formação baseada nas contas reais dos estabelecimentos e orientada para a resolução de problemas concretos.
Além da actividade directamente ligada à alimentação, o projecto poderia abranger áreas como manutenção de equipamentos, transporte, embalagens, contabilidade, comunicação e tecnologia.
O empresário chama ainda atenção para a necessidade de preservar a identidade cultural dos negócios alimentares.
Na sua visão, a profissionalização de restaurantes e marcas não deve eliminar receitas, métodos e características que contribuíram para a sua aceitação junto dos consumidores.
A expansão de marcas angolanas, acrescenta, poderá igualmente criar oportunidades para a entrada de produtos e serviços nacionais noutros mercados, incluindo Portugal e Brasil.
Para Lucas Atanazio Vetorasso, qualquer iniciativa de investimento em Angola deve partir da observação da realidade e da construção de parcerias com os agentes locais.
A identificação de falhas nas entregas, necessidades de formação, capacidade de produção local e condições de cada negócio deve, segundo o empresário, anteceder a implementação de soluções.
Na sua perspectiva, a avaliação do impacto de novos investimentos não deve limitar-se ao número de lojas abertas, mas incluir também a criação de emprego, desenvolvimento de competências, fortalecimento dos produtores e melhoria da capacidade de gestão dos negócios locais.
O empresário defende, por isso, que conhecer as pessoas e compreender os seus hábitos deve ser uma das primeiras etapas de qualquer projecto empresarial no mercado angolano.



