O Senado dos Estados Unidos da América (EUA) prorrogou para mais dois anos, até 2028, o prazo de vigência da Lei de Crescimento e Oportunidades na África (AGOA), que permite que países africanos elegíveis exportem mais de 1.800 produtos isentos de impostos para os EUA, incluindo produtos agrícolas, calçados, automóveis, têxteis e produtos manufacturados. O programa foi criado, em 2000, pelo Congresso dos Estados Unidos. Os especialistas ouvidos pelo OPAÍS defendem que Angola tem aproveitado pouco desta medida
O programa é considerado pelo Governo uma porta para entrada de uma vasta gama de produtos nos EUA, mas que, segundo especialistas, na vigência anterior, Angola ganhou muito pouco ao exportar quase apenas um único produto, o petróleo bruto. De acordo com a imprensa internacional, a prorrogação feita neste mês foi aprovada com 90 votos a favor e 6 contra, proporcionando alívio aos exportadores africanos, já que o acordo actual expiraria no final de Setembro de 2026.
Ao todo, são 32 países elegíveis, entre eles Angola, admitidos para exportar para o país americano mais de 1.800 produtos, sem taxas e sem quota. Ao abordar sobre as vantagens e desvantagens do que Angola aproveitou com o acordo anterior, o economista Diógenes Lenga afirma que, na prática, Angola” não usou o benefício, ficou apenas na exportação de um único produto, que é o petróleo bruto”, considerando que o balanço tenha sido negativo. Já o economista Hermegildo Quixigina afirmou que, fora do petróleo, Angola tem porta aberta para exportação de produtos agrícolas, como café, mel, produtos têxteis, entre outros. Mas que, no seu entender, a vantagem que o programa oferece foi desperdiçada.
Diversificação da economia
Para Diogenes Lenga, a revogação do programa deve ser vista como um alerta para a diversificação da economia e tempo de fazer um balanço honesto. Já Hermenegildo Quixigina defende que Angola precisa preparar-se melhor. Investir na indústria e na agricultura, com produtos de qualidade certificados, na logística e alargar o leque de produtos por exportar e não ficar apenas no petróleo.



